sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

WonderDory - Parte 2


A porta se abriu.

- Dory?

Não, a Mestra não. Era o pior dia da sua vida e tudo que ela não queria era a Mestra em seu quarto. Fingiu dormir.

- Dory? Me responda.

Era impossível enganá-la.

- Sim, Diana.
- Você não apareceu para o jantar.
- Eu não estou com fome.
- Nós temos que seguir regras. Temos que ter disciplina. 22 anos na ilha e você não aprendeu? Você sempre foi minha melhor pupila; o que está acontecendo?

Ela jamais entenderia o que estava acontecendo. Não adiantava contar. Era fria e calculista e não daria importância alguma.

- Eu só não estou com fome.
- A fome não importa. Com fome ou não você sempre soube que teria que estar na sala de jantar às 19h. Pontualmente.
- Eu sei.
- E que voz é essa? - ela estava alterada. Acendeu a luz. Na hora em que seus olhos verdes repletos de lágrimas encontraram os olhos azuis da Mestra, soube que estava encrencada. Lembrou de uma poesia, lida há muitos anos, sobre os fantasmas terem olhos verdes e serem inofensivos e só atravessarem paredes, enquanto os monstros tinham olhos azuis e deviam ser temidos, pois eles, sim, eram maldosos.
- Dory, você está chorando?
- Diana, eu...
- Chorando? Você está doente? Não admito qualquer outra explicação!
- Eu... eu... - indefesa diante dela. Dory podia liderar todas as outras meninas na ausência da Mestra, mas, diante dela, se sentia sempre como no dia em que, com apenas dois anos, chegara à ilha.
- Vamos. Fale.
- A raposa.
- A raposa que você criava?
- Isso. Ela... Ela... Ela morreu hoje.
- Sim. Essa é a ordem natural. Todo ser vivo nasce, cresce e morre.

Ela não entendia. Como previsto.

- Você está chorando por causa da raposa? Eu sabia! Jamais deveria ter permitido que você trouxesse ela pra cá. Bichos de estimação só causam problemas.
- Mestra...
- Quando teus pais te trouxeram pra cá, depois do acidente dos brinquedos se desintegrando, quando eles perceberam que você tinha dons especiais e precisava treiná-los, eu lhes disse que esse treinamento seria longo e doloroso, que eu te faria passar pelas maiores provações e sofrimentos. Eles aceitaram, pois sabiam que isso te faria uma pessoa melhor.

Não, eles aceitaram pois assim poderiam exibi-la. Tudo que eles queriam era ter a melhor filha, era impressionar seus amigos. Já estava cansada das festas de final de ano, única ocasião em que podia deixar a ilha e ir pra casa. Eram todas iguais: os pais sempre a exibiam. "Essa é a Dory, nossa filha, ela é a mais inteligente, a melhor". Ela era? Sempre tinha se destacado em todos os treinamentos, mas isso a tornava melhor?

- E eu cumpri minha promessa. Te fiz passar frio, fome, medo. Exigi o máximo de você. Você acha que eu me senti bem quando te larguei com apenas 8 anos de idade para passar a noite na floresta sozinha? Não, mas era necessário, era parte do treinamento. Eu te fiz passar pelo pior e nunca te vi chorar; eu provoquei as piores dores em você e nunca te vi chorar.

Piores dores? O que ela entendia de piores dores? Quando Beatrix quebrara sua perna durante uma luta de treino, quando Scarlet a esfaqueara... Nada tinha doído tanto quanto ver sua raposa fechando os olhos para sempre.

- E agora você me desafia, não aparece pra jantar e fica aqui chorando por causa de uma raposa? É muita ingratidão. Eu te ensinei tudo que você sabe, te fiz a melhor lutadora, te ensinei a controlar seus poderes...
- Mas nunca me ensinou a controlar meus sentimentos.
- O que? Sentimentos são para pessoas fracas.
- Ela era minha amiga. Minha única amiga.
- Você não precisa de amigos, você precisa de poder, de força, de bravura.
- Eu só me sentia forte e poderosa perto dela.
- Chega! Eu não aguento mais ouvir tanta besteira. Vou avisar a Beatrix que ela assumirá suas turmas de luta por tempo indeterminado. Quero você longe das novatas por um tempo. E vamos ter um treinamento intensivo, só eu e você, pra que eu possa tirar essas ideias absurdas da sua cabeça.

Saiu, batendo a porta.

E, naquele momento, todo o sentimento represado durante anos se libertara. A dor pela separação dos pais, a solidão, a sensação de que estava perdendo sua vida na ilha, a exibição dos pais, a ausência de palavras de carinho deles, os anos e anos de destaque na ilha e a ausência de reconhecimento por parte da Mestra... a perda da única amiga que tivera, da única criatura que despertara seu amor...

O choro, até então contido, perdeu o controle. E ela chorou como uma criança, durante toda a noite. Nunca experimentara tamanha dor.

***

Não sabia de onde viera a coragem. Mas desconfiava... A raposa não lhe ensinara que amar alguém profundamente nos dá força, mas ser profundamente amado por alguém nos dá coragem?

Bateu na porta.

- Entre, Dory.

Ela sabia pela batida na porta que era ela. Desde sempre. Entrou devagar no gabinete da Mestra. Sempre ficara espantada com o lugar, com o passado de glorias daquela que tinha sido sua treinadora, o passado estampado na parede, em quadros, recortes de revistas e jornais.

- Mestra, eu vou deixar a ilha.
- Eu já sabia.
- Você...? Como?
- Desde o momento em que eu te vi correndo pelos jardins com a raposa pela primeira vez, eu já sabia. Eu percebi que eu não conseguiria te privar do sofrimento.

Silêncio.

As lágrimas começavam a lotar os olhinhos da moça.

- Dory, você sempre foi a melhor. Mas eu sempre soube que isso aqui não seria o bastante pra você. Eu desenvolvi um carinho diferente por você. Eu posso ser muito dura, até mesmo agressiva contigo, mas faço tudo por saber que você é minha preferida. Se às vezes eu te trato pior do que as outras, é porque eu sei que, no fundo, eu nunca vou sentir por elas o que eu sinto por você. Eu sinto carinho de mãe por você.
- Obrigada, Diana.
- Eu te ensinei a lidar com o sofrimento físico, pois achei que conseguiria te poupar do sofrimento emocional. Como eu fui boba... As mães se enganam muito. Você é toda sentimento. Inteirinha. Da cabeça aos pés. Eu jamais conseguiria te poupar da dor. Jamais.

Silêncio.

Depois de ouvir tudo aquilo, já não sentia a mesma vontade de ir embora que sentia antes.

- O mundo lá fora te espera, querida. E, nesse exato momento, eu me sinto a pior treinadora do mundo, pois eu não soube te ensinar a lidar com a dor de perder alguém, de se sentir sozinha, incapaz, fraca,de não ser a melhor, de fracassar, de não ser correspondida quando se ama alguém, de lidar com a distância, com a injustiça, com a ingratidão. Tanta coisa que eu poderia ter te ensinado... Mas talvez eu mesma não soubesse como lidar com essas coisas...
- Diana, você foi a melhor Mestra que eu poderia ter. Mas, talvez, essas lições eu tenha que aprender sozinha.
- Talvez... Quem sabe? Como você está lidando com a morte de sua amiga?
- Ainda dói muito... Desconfio que nunca deixe de doer.
- Me perdoe por ontem. Fui insensível. Eu sei que você sempre me achou fria e sem sentimentos. Mas, ontem, eu fraquejei. Minha reação exagerada foi justamente causada por um sentimento, por um enorme sentimento. Por medo de te perder. É extremamente egoísta, eu sei, mas eu queria ser sua única amiga.
- Você é minha única Mestra.
- Acho que isso está bom... Me promete que viverá tudo que tiver pra viver, tudo de que eu te privei aqui?
- Eu prometo.
- E não mostre seus poderes. As pessoas não estão preparadas.
- Certo.
- E cuidado com rapazes. Há uma razão para só admitirmos moças na ilha.
- Eu sei.
- E faça amigos. Muitos. E se entregue a eles, faça tudo por eles, demonstre todo o seu amor. Você só vai viver uma vez.
- Eu o farei.
- E... Bom... Eu sempre estarei aqui. Quando precisar de mim, já sabe onde me encontrar. E você sempre será bem-vinda aqui.
- Obrigada, Mestra. Por tudo. Sempre.
- Eu que tenho que te agradecer. Você me fez ver coisas que eu não via há tempos. Rever conceitos... Agora vá! Não prolongue as despedidas. Saia cedo, eu comunico às meninas.
- Até mais, Diana!
- Adeus, WonderDory!
- Que?
- Você entenderá... Na hora certa...

Quando ela fechou a porta e sentiu o ar gélido da ilha, se lembrou das palavras. Adeus?  Mas, ela voltaria... Ou ela já sabia que não? E do que a Mestra lhe chamou? Um dia ela entenderia?

Pensou em voltar, mas lembrou que os olhos da Mestra estavam brilhando quando ela saíra. Jamais seria perdoada por vê-la chorar.

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Letra e Música



Ela escrevia. Músicas. Algo que ela nem sabia como havia aprendido a fazer. Sabia, apenas. Sabia escrever músicas. Variadas. Boas. Bonitas.

Ela escrevia músicas pra ele. Pra ele cantar. Sua voz preferida. A voz que ela mais gostava de ouvir. Não que ele pedisse pra ela escrever. Não... Era a voz dele que a inspirava. Cada vez que ela o ouvia cantar - músicas que ela não havia composto - mais tinha vontade (necessidade?) de escrever. Pra ele.

Ele era bom... O melhor, provavelmente. Como segurar a ânsia de vê-lo cantando o que ela escrevia? De vê-lo dar vida às suas palavras?

"Palavras são poderosas", ela sempre dizia.

Ela também cantava. Não tão bem quanto ele, claro. Ele tinha algo de mágico. De predestinação. Ela era uma soma de esforço, dedicação e estudo. E vontade. Ele era bom. Ela fazia de tudo pra ser boa (e dizem, até, que ela já havia conseguido, que ela já era muito boa... mas ela ainda duvidava... e isso talvez fosse porque ele não a achava boa...) (e era muito importante, pra ela, que ele a achasse).

Ela tinha um sonho. Um dueto - cantar junto com ele. Um sonho vindo do passado, quando - imaturidade ou sabedoria? - eles planejavam cantar juntos. Um futuro em que levariam a vida cantando, sempre juntos.

"O futuro não existe", ela dizia. "Quando ele existe, ele já é presente".

E o futuro não existiu. Ela continuava escrevendo músicas para ele. (Que ele não cantava) Ela continuava sonhando com o dueto. (Que não aconteceria) Ela continuava se angustiando, enquanto o via desperdiçar o talento mágico em músicas ruins, de péssimos autores. (Que nem sabiam escrever... como ousavam realizar tarefa tão sublime sem o saber?)

Sem a voz dele, o que ela escrevia não ganhava vida. (E ela conseguia deixar outra voz cantar?) Sem o que ela escrevia, tudo o que ele cantava era pouco, era menos, era menor, era sem vida.

(Mas ele parecia não perceber. Ou não se importar. Ou manter e alimentar uma esperança cega de que as melhores músicas ainda estavam por vir. E que não viriam dela. Apostava em todo mundo.... menos nela...)

Juntos, eles podiam ser tanto... Era tanta coisa boa em cada um que, juntando tudo, sairía algo gigante. Um oceano de possibilidades. Um vislumbre de realizações, concretizações. Felicidade. E sucesso...

Complementares. Indestrutíveis.

Letra e música...

(Um dia, quem sabe, seriam uma linda canção...)
(Ela continuaria esperando por isso...)
(... e se o futuro existir?)

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Medo



Maldito medo!
Que me faz fugir de tudo,
Torna meus olhos cegos,
E meu diálogo, mudo.

Maldito medo!
Que me consome a dignidade.
E me faz morrer em chamas,
E me perder na eternidade.

Maldito medo!
Que corrompe meu ser,
Entope minhas artérias e veias,
E me faz enlouquecer!

Maldito medo!
Que me nega toda a sorte,
E me afasta aos poucos do mundo,
Querendo me carregar pra morte.

Maldito medo!
Maldição sem fim...
Faça-me o favor:
Afaste-se de mim!

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

sdds twitter 04



"sinto falta daqueles tempos", disse. surpresa e feliz, respondi: "eu não. gosto mais da minha vida agora."
12:43 PM Jul 30th from twitgether

mais uma do facebook: "seu perfil é chato! faça seu perfil mais interessante." (mais direto impossível!)
4:45 PM Jul 29th from twitgether

"vc pode participar fazendo X, Y ou Z. vc quer?"; "quero. e quero fazer W!". ah, tá. ok. senhor, me dá muita paciência. MUITA!
3:05 PM Jul 27th from twitgether

qdo eu pedi demissão e me perguntaram "o que vc vai fazer agora?", eu disse "ser feliz". é tão bom ver que eu tô fazendo EXATAMENTE isso. =D
9:03 PM Jul 24th from web

"Cowboy nu é candidato a prefeito de Nova York; veja vídeo" Não, obrigada!
9:53 AM Jul 24th from twitgether

o @rlauri disse que veio de órion. eu vim do b612. é que eu era a rosa do loirinho...
10:53 PM Jul 23rd from web

coisas que vc só vê no facebook: "hey, tally! solteiros gostosos estão esperando-te". oi?
2:46 PM Jul 23rd from twitgether

"tinha muita gente sentada perto de mim que só olhava pra vc" (paulo faz meu dia feliz com uma dúzia de palavras)
10:34 PM Jul 22nd from web

Clementine: What do we do? / Joel: Enjoy it.
4:48 PM Jul 17th from twitgether

MEU LIVRO TÁ REGISTRADOOOOOOOOOO! AAAAAAAH!
9:27 PM Jul 8th from twitgether

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

você (não) pode errar!


aí eu ia subindo a rua e elas desciam. uma mulher de uns 40 anos e uma menina de uns 7. mãe e filha? e a menina tropeçou. do nada. dobrou a perna e quase caiu. teria caído, se a mulher não a tivesse puxado pelo braço. uma coisa simples, um tropeço. quantas tropeçadas - literal e figurativamente - não damos na vida? e a mulher/mãe a segurou, impediu a queda, como era de se esperar. e eu nunca mais teria lembrado dessa cena. mas eu vou lembrar; mas eu precisei registrar. pelo que a mulher/mãe disse, logo depois de levantar a menina: "não faz isso, que coisa feia! fica tropeçando por aí... você não pode tropeçar!".

mas, gente, como assim não pode tropeçar? tropeços acontecem. inclusive os literais. eles independem da nossa vontade. ninguém é besta/masoquista de se jogar/cair/machucar intencionalmente, ainda mais aos 7 anos de idade. (ok, algumas pessoas crescem e se tornam bestas/masoquistas e gostam de se machucar, mas não tem a ver com o que eu estou falando). é o chão que é irregular, é o sapato que é desconfortável, é uma distração, é intervenção divina.... é qualquer coisa, menos vontade. 

mas tropeçar é feio. tropeçar significa que algo deu errado no seu processo de colocar um pé na frente do outro e caminhar lindamente. significa que você falhou no processo de andar e deixou de praticamente deslizar como uma  sílfide. tropeçar significa que você errou. e você não pode errar! você não pode tropeçar, você não pode ir mal na prova, você não pode esquecer nada, você não pode quebrar nada, você não pode brigar com o coleguinha, você não pode ficar de recuperação, você não pode não ser a melhor da turma, você não pode não ser a mais bonita e perfeita, você não pode escolher caminhos errados na vida. na infância e por todo o sempre.

a mulher/mãe era má? errada? não... como a minha mãe não é e nunca foi (na verdade, é a melhor do mundo), mas já me disse que eu não podia ter tirado só 6 naquela prova, que eu não podia não ter passado no vestibular (e agora? o que eu ia fazer da minha vida?), que eu não podia ir com aquela roupa simples numa festa e acabar sendo a menos bonita ali. como certamente, mesmo eu não lembrando, ela deve, em algum momento, ter falado que eu não podia tropeçar. mesmo sabendo que ela deve ter tropeçado muito na vida e, também, ouvido muitas vezes da mãe dela (minha vó linda!) que "a dedei não podia tropeçar". é assim. todos nós, eternamente condicionados a acreditar que não podemos tropeçar e que devemos ensinar isso às próximas gerações. não tropecem! não errem! é feio!

só que, se a gente não tropeça, a gente não aprende que ali, naquele lugarzinho, o chão é irregular. a gente não aprende que aquele sapato é uma porcaria e não devemos nunca mais usar ele. a gente não aprende que um 6 em matemática não significa absolutamente nada quando a gente já sabe as operações básicas e é só isso que a gente vai usar pro resto da vida, sendo que escolheu trabalhar em humanas. a gente não aprende que não passar no vestibular não é o fim do mundo (e que passar até pode ser, viu? rs) e que a gente tem o direito de mudar de opiniões e de caminhos. a gente não aprende que dói mais na gente do que no coleguinha brigar com ele (pq a gente sente muita falta...). a gente não aprende que, por mais que a gente se esforce, sempre vai ter alguém melhor que a gente na turma, simplesmente por ser assim, e não pq a gente é ruim. e a gente não aprende que beleza e perfeição são conceitos absurdamente relativos. e que errar é normal. errar é parte do processo. errar é necessário...

durante muito tempo eu tive medo de errar. ainda tenho um pouco. a ponto de deixar de fazer coisas por temer fazer errado. e minha solidariedade com a menininha tropeçando talvez tenha vindo disso. do receio de que ela acredite - como eu acreditei - que errar é errado. e não se permita errar e, com isso, atrapalhe seu próprio processo de crescimento e evolução. e perca chances. 

eu escrevo, agora, por não ter tido a coragem/discernimento de dizer pra ela o que eu gostaria de dizer: "você pode tropeçar, sim!". 

eu escrevo, agora, como uma forma de dizer pra mim mesma o que eu deveria dizer todo santo dia: "você pode errar, sim!".

afinal, como disse cazuza, "existe o certo, o errado e todo o resto". e errar não é errado, como também não é certo. errar é todo o resto.

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Eu li num livro 38



Livro: A Pata da Gazela
Autor: José de Alencar
Dose de sabedoria:

* A ilusão é a única realidade desta vida!

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Angústia Maternal



De todos os assuntos relacionados aos problemas do mundo moderno, com certeza a descriminalização do aborto é um dos mais polêmicos. De acordo com pesquisas feitas em território nacional, as opiniões têm-se dividido, havendo diferenças mínimas no posicionamento dos cidadãos.

Segundo o Código Penal, de 1940, o impedimento da gestação é direito de toda mulher estuprada e gestantes que corram riscos. Contudo, graças ao ultrapassado sistema judicial brasileiro, até que se provem esses dois casos, a interrupção da gravidez se transforma, de operação corriqueira de início de gravidez em uma dificuldade imensa para a gestante.

Por trás das cortinas da lei, milhares de abortos ilegais têm ocorrido no país; com maior incidência entre mães adolescentes que acabam com uma futura infãncia em nome da sua. A população carente é mais prejudicada pela lei; pois, não tendo acesso às clínicas particulares, recorre a métodos caseiros e brutais. E, certamente, a grande maioria das 883 mulheres violentadas somente no primeiro semestre de 1997, não teve acesso a essa prática.

A Igreja condena o aborto, bem como o homossexualismo e o divórcio; revelando-se antiquada se comparada aos avanços sociais. A lei deve ser revista, pois não prevê uma gravidez indesejada, risco para a criança, interesses pessoais e dificuldades financeiras; o que pode elevar o contingente de menores abandonados.

As mulheres têm, antes de tudo, direito sobre seu próprio corpo e liberdade para gerar ou não uma vida. A obrigatoriedade do atendimento não é um incentivo ao aborto e sim à formação de uma nova geração de crianças amadas, bem-cuidadas, e o que é melhor, desejadas.

(3º colegial, tema - a lei da obrigatoriedade é um incentivo à descriminalização do aborto? , redação nota 10, publicada no mural da escola)

terça-feira, 12 de novembro de 2013

amor é cortar tecido à noite.



é tão difícil, mas tão fácil definir o amor.

eu sinto, sempre, que eu não sigo o que ela sonhou pra mim. eu sinto que ela planejou um outro futuro pra mim. um que, pra ela, seria muito melhor. mas ela me deixou sair de dentro dela. teve isso. depois disso, depois que se corta o cordão... bom, as coisas vão piorando. até chegar naquele ponto em que ela deixou de escolher por mim, de planejar por mim, de sonhar por mim. e eu comecei a escolher, a planejar, a sonhar. a traçar. certamente não o que ela queria. talvez não o melhor pra mim. mas o único caminho que eu consigo seguir, minha estrada de tijolos amarelos. tortuoso? talvez. delicioso? sim. 

e, mesmo não sendo o que ela escolheria pra mim, ela apóia. ela se esforça pra entender (ok, nem sempre consegue.... mas, acredite, eu também não entendo muitas vezes). ela fica ao meu lado. ela me incentiva. e ela sonha comigo.

ela me ensina (e re-ensina, todo santo dia) que sonho que se sonha só é só um sonho e sonho que se sonha junto é realidade. ela sonha meu sonho. e me ajuda a ir, aos pouquinhos, transformando-o em realidade. 

e ela move mundos e fundos.

ela investe tempo e dinheiro.

ela gosta até quando não gosta.

ela reclama ("você nunca está aqui final de semana!", "só você trabalha nesse grupo, né?", "pq é sempre você que tem que se sacrificar?"). muito. mas não deixa de apoiar, incentivar, sonhar. e não me faz desistir. não me deixa desistir.

ela sai catando gente na rua, na maior cara de pau, pra vender rifa pra ajudar ao grupo.

ela fica a noite toda fazendo colar comigo, pra conseguir trocar os colares por doações pro grupo.

ela é a pessoa mais entusiasmada do grupo. e ela nem é do grupo, não oficialmente.

e, ontem, ela cortou tecido. à noite. eu riscava e ela cortava. pequeninos quadrados de tecido. que vão virar figurinos. figurinos que nem eu e nem ela vamos usar. que o grupo vai. 

ontem ela me provou, mais uma vez, que isso é amor. é cortar tecido, depois de trabalhar o dia todo e de fazer comida à noite. amor é sacrifício. sacro ofício. trabalho sagrado. sagrado. 

mãe, lembra quando a dani disse que eu dediquei minha peça pra minha professora da 1ª série e não pra você? a outra eu dediquei pra princesa estrela. não dediquei, mesmo, nenhuma pra você. e nem sei se vou dedicar alguma das que eu estou escrevendo e das muitas que eu pretendo escrever. pode parecer egoísmo, mãe, mas não é isso, não. pode parecer ingratidão, mas também não é isso. juro.

eu não dedico minhas peças a você, mãe. pq eu acho pouco, muito pouco, muito menos do que você merece.

eu dedico minha vida toda a você...

sábado, 9 de novembro de 2013

"Pra que a gente faz teatro?"



- A gente estava comentando que nas suas peças sempre tem personagem sem nome...
- E sempre tem uma Ela. Nas adultas.
- É. Verdade!
- Sempre tem uma personagem pronome...
- Tem algum motivo pra isso?
- Não sei... Na peça que eu tô escrevendo agora também tem uma Ela...
- Sua terceira Ela...
- É. Posso te contar um segredo? As Elas... Bom, eu escrevo as Elas pra mim. São sempre as personagens que eu gostaria de fazer.

Assim, há alguns dias, eu confessei meu segredo pra uma certa flor. Mais tarde, no mesmo dia, eu contei pra ela o significado do meu nome...

- Então, é como se você nem tivesse nome...
- Mais ou menos isso.
- Você é a menina.
- Eu sou um substantivo...
- Ou um pronome... A menina... Ela... Isso explicaria suas personagens chamadas Ela.

Sim, explicaria. Se procede, eu não sei. Sei que tudo isso, pra mim, me pareceu ter muito a ver com um outro diálogo, que aconteceu 5 dias depois. No fim de uma aula, enquanto uma aluna registrava uma atividade e eu tentava fazê-la entender o quanto o exercício a ajudaria, surgiu o questionamento: "Pra que a gente faz teatro?". E eu quis ouvir dela, saber o que ela responderia, primeiro.

"Pra poder ser outras pessoas, viver outras vidas."

Eu disse que muita gente responderia isso. E ela quis saber o que eu achava. Em segundos, lembrei dos outros diálogos. Das peças. Das Elas. E de tudo que eu vivi no palco até agora: Rosalynda, Emília Espectadora, Carmen, Poetisa, Pombinha, Noêmia, Lisístrata, Juliet, Lindalva, Zabé, Cindy, Sílvia, Emília... E percebi que eu jamais responderia a mesma coisa.

"Eu acho que a gente faz teatro pra poder ser a gente mesmo. O mundo, as pessoas, a sociedade... tudo exige que a gente seja um personagem, pra atender padrões e expectativas. Talvez só no palco a gente possa abandonar as personagens."

E, vendo o brilho nos olhos dela, finalizei:

"A gente faz teatro pra poder ser a gente mesmo, pra viver de verdade a nossa vida."

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Feitiço



Eu que sou a bruxa?
Ou você é o feiticeiro?
Posso ter escolhido os ingredientes,
Mas você mexeu o caldeirão inteiro.

Há muito deixei de ser bruxa,
Já não vago pela madrugada.
E você, feiticeiro? Ainda voa?
Ou, como eu, pensa na pessoa amada?

Cansei de tanto feitiço, encanto, magia;
Toda essa alquimia pra te conquistar.
Mas só te aviso, tome muito cuidado:
Contra o feiticeiro, o feitiço pode virar!

terça-feira, 29 de outubro de 2013

sdds twitter 03



emoticon mais usado do dia: (drama\) . tô melodrama puro.
5:51 PM Aug 13th from twitgether

"Tinha esquecido como você dialoga como se estivesse num filme de Quentin Tarantino"
5:37 PM Aug 6th from web

"Acho que você é a única pessoa que faz parecer possível uns diálogos insanos daqueles, na vida real." (ohmygod!)
5:38 PM Aug 6th from web

da série "verbos de difícil conjugação": CATIVAR.
9:21 PM Aug 5th from twitgether

You don't tell me things, Joel. I'm an open book. I tell you everything, every damn, embarrassing thing.
12:41 PM Aug 5th from twitgether

"eu tô numa onda macha nas últimas semanas. tô no meu ano chuck norris, eu acho."
2:39 PM Aug 4th from twitgether

lição de lógica no karaokê: "gordinhas cantam bem"; "eu não canto"; "vc não é gordinha".
3:55 PM Aug 3rd from twitgether

"Afinal, cada um de nós tem origem no desejo, e todos nós temos fim na morte." (Adoro o Sandman...)
5:28 PM Jul 31st from twitgether

Brhadaranyakopanishadvivekachudamani batiza filho com mesmo nome. PQ, MEU DEUS, PQ????
10:47 AM Jul 31st from twitgether

normal sonhar com o fhc, sendo que já sonhei com o vargas, acho... tenho uma tendência a sonhar com ex-presidentes.
9:57 AM Jul 31st from twitgether

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

a professora de teatro 7



- que que é aula aqui?
- de teatro... sabe?
- que que é teatro? que nem fazer peça, com historinha?
- isso mesmo!
- e se eu não tiver fantasia? posso fazer?
- pode! e eu também tenho várias fantasias naquele baú!
- nossa! que demais!

(e, com olhos arregalados, o menininho de no máximo 7 anos foi embora e me deixou pensando que a resposta certa seria "a fantasia de vestir não é necessária; mas a outra fantasia, se não tiver... aí complica...")

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Eu li num livro 37


Livro: Sete Faces da Aventura - conto "Eu, um pioneiro"

Autor: Ricardo Gouveia

Dose de sabedoria:

* Aquela imagem ali à frente, tão próxima, provocou em mim estranhas sensações. Fiquei como que paralisado, sem saber o que estava fazendo ali, e senti uma pressão muito grande dentro de mim sem nenhuma razão aparente: talvez dor seja isso.

sábado, 19 de outubro de 2013

Portas semi-abertas



Uma enorme quantidade de fugas e rebeliões em inúmeros presídios por todo o país tem assustado a população e tornado cada vez mais presente a possibilidade da instituição das penas alternativas.

Atualmente, o quadro carcerário do Brasil tem se mostrado caótico, desastroso. Os presídios, que deveriam recuperar os presos, estão se transformando em simples depósitos de seres humanos que preparam pequenos criminosos para cometer crimes muito maiores. E a superlotação, apoiada em uma infra-estrutura extremamente precária, acaba gerando mais violência, promiscuidade e tráfico de drogas mais intenso. E tudo com um alto custo de manutenção.

As penas alternativas, entre elas, multas, prestações de serviços e restrição parcial de direitos, poderiam retirar dessas eternas universidades do banditismo, criminosos menores que se privam de uma vida digna por terem cometido crimes, muitas vezes, banais. E, dessa maneira, já resolveriam uma parte dos grandes problemas da prisão: todos os evidenciados pela superlotação.

Os 45.000 condenados, segundo as pesquisas realizadas, que já poderiam estar trabalhando  e reconstruindo suas vidas, custam ao Estado 18 milhões de reais por mês. Com esse dinheiro, poderiam estar sendo construídas 1700 casas populares todo mês. No Japão e na Alemanha, 90% das prisões judiciais culminam em regime semi-aberto, mostrando que existem alternativas para o obsoleto sistema carcerário brasileiro.

É inútil para a sociedade agravar o quadro da miséria no país. Problemas sociais e má distribuição de renda já bastam para destruir as classes mais baixas. É desnecessário que o medo espalhado pela onda de criminalidade acelere essa destruição.

(3º colegial, tema - penas alternativas, redação nota 8)

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Vendetta



Foi tudo muito rápido. O velho Haroldo (com H mesmo), professor de matemática da escola desdeque minha mãe estudava lá, acabou de explicar a matéria e sentou-se para corrigir as provas. E, quando o sinal tocou, não conseguiu levantar. Estava colado na cadeira!

Ao lembrar da cena, no recreio, ríamos muito... Quando o Milton lembrou:

- Se não contarmos que foi a gente, todo mundo vai levar suspensão.
- Corta essa, Milton, você sabe que a "generala" só ameaça.
- Camila, tudo bem que você é burra, mas entenda: dessa vez, foi pra valer. Nós colamos o velho na cadeira!
- Mateus, não exagera! Ele saiu, não saiu?
- Saiu, Larissa, mas a calça ficou.
- Vamos entrar que a aula é de química e vocês sabem como a Valdete é chata.

***

À tarde, a tontinha da Camila me ligou:

- Tô com medo, La!
- Cá, eu tô ferrada se tomar suspensão.
- Já pensou se formos presas? Que horror!
- Camila, somos menores. E não matamos ninguém!
- Meu cabelo ia ficar horrível na cadeia.
- Ai, Camila, não acredito que ouvi isso.
- É verdade! Sabe-se lá que tipo de shampoo eles usam lá!

***

No dia seguinte, estava decidida: ia me entregar!

- Quer dizer que foi você, Larissa?
- Sim, senhora.
- E não está arrependida?
- Não sei...
- Como não sabe?
- O ve... Quer dizer, o Haroldo é muito chato com a gente, ele não nos deixa em paz.
- Se vocês tivessem vindo conversar comigo, poderíamos ter resolvido o problema. Pra que ser rebelde?
- Fiz besteira, né?
- Fez! Mas foi uma besteira criativa. Foi muito engraçado! E eu garanto que agora o "velho", como vocês dizem, vai ser mais bonzinho.
- Tomara!

Eu e a diretora ríamos muito quando bateram na porta.

- Pois bem, jovens, o que desejam?
- É que a Larissa não tá sozinha nessa.
- Você também, Milton?
- E eu, tia!
- Camila... De você já se esperava isso.
- Não entendi!
- Jegue! Eu também tava nessa...
- Mateus. Acabou a turminha?
- É só a gente.
- Pois bem. 3 dias de suspensão para os quatro.

***

- 3 dias sem fazer nada... Que tal alugarmos um filme?
- Que nada, Milton. Vamos pra praia!
- Praia, Mateus? Eu vou descascar! Vamos fazer compras. Tem uma liquidação excelente na...
- Cala a boca, Camila!
- Que tal se a gente... bem... aproveitasse e estudasse... matemática? Não me batam, por favor!
- Grande Larissa!
- Que tal na minha casa?

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Anana - parte 01



A menina abriu os olhos. Viu sua tribo ao redor dela. Todos ornamentados. Odiava aquele ritual. Odiava todos os rituais, na verdade. Reencarnação da Deusa? Quem disse que ela era isso? Que direito eles tinham de acabar com sua vida para obrigá-la a serví-los? Odiava, com todas as suas forças. E lá estava ela, acabando de voltar de outro transe...

De verdade? Ela não fazia ideia do que acontecia nos tais rituais. Sabia que ela ficava dias tendo que comer frutas e fazer mentalizações. No dia, tomava um banho especial, com ervas... e um cheiro horrível que não saía da pele por semanas. Limpa, colocava o traje especial, as jóias, e era levada pro altar no centro da roda. Nesse momento, começavam os cânticos. E ela dormia. E acordava. 

O que todos diziam depois é que, no tempo em que ela achava que estava dormindo, a Deusa se utilizava de seu corpo para se manifestar, fazer profecias e atender pedidos. E tudo que ela conseguia pensar era, se a Deusa atendia pedidos, porque não atendia o dela? Ela só queria ter uma vida normal, não ser isolada do contato humano. Tinha 14 anos e passara a vida toda presa em sua tenda, vigiada por dois seguranças truculentos. Só podia ver os pais e seu professor, o homem mais sábio da tribo, que ia até lá para lhe ensinar os caminhos da Deusa.

Nas festas que seguiam o ritual, era obrigada a ficar parada no altar, sem falar com ninguém Mas estavam todos tão animados... Não perceberiam se ela saísse. E, quando ela viu o menino alto que a encarava, não resistiu a ir ao seu encontro.

- Oi!
- Você não pode sair de lá!
- Hmmm... Tudo bem! Qual é o seu nome?
- Eu... eu... não posso falar com você.
- Ninguém vai saber... deixa de ser medroso! Eu só queria ser sua amiga!
- Eu não posso ser amigo da Deusa...

De repente, o grito:

- ANANA!

A menina se encolheu...

- Pai?
- Você sabe que não pode sair do seu lugar.
- Eu só queria conversar...
- Não pode!
- Pai, eu quero ter amigos...
- Eu já disse que não pode.
- Mas, pai...
- Já chega! Pra tenda!
- Pai...
- Você quer que eu chame os seus seguranças?
- Tá bom. Eu vou...

E a menina andou com passos firmes. Com raiva. Ódio. E dizendo coisas que seus pais, sem pestanejar, chamariam de blasfêmias.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Seleção



É no pé do povo
É na ginga e na raça
É a procura do sucesso
É em busca da taça

E a plateia aplaude,
Participa do show.
E o time dribla, chuta,
Faz mais um gol.

Cada passe certo
É motivo de euforia,
Cada título conquistado
É uma grande alegria.

E nossos craques não se cansam
Fazem um, fazem dois, fazem mil
Afinal, esse é o reino do futebol
É o nosso país, o Brasil!

E é na ponta do pé
E na batida do coração
Que é bi, é tri, é tetra,
É, acima de tudo, campeão!

(aí eu tinha 14 anos e assinava Placar. oi?)

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

sdds twitter 02



poder jantar geleia de mocotó é, definitivamente, uma das coisas mais legais de ser adulta.
11:32 PM Sep 11th from twitgether

lição de anticristo: nunca ajude alguém que poderá te surrar, ferrar tua perna e te enterrar vivo depois, mesmo q vc ame essa pessoa.
5:35 PM Sep 1st from web

a gente tem que clicar em "enviar" pensando "há outros mundos...". tem. precisa.
3:12 PM Aug 31st from twitgether

algo que aprendi recentemente sobre a minha pessoa (acho "a minha pessoa" uma expressão batuta!): eu jamais entendo uma indireta.
1:56 PM Sep 29th from twitgether

Childe Roland to the Dark Tower Came.
10:46 PM Aug 27th from twitgether

"É que nem disputa de melhor cosplay: ninguém ganha porque não há vencedores. Todos são perdedores." (hahahahahaha)
5:10 PM Aug 27th from twitgether

"Amapá, Brasil (medesculpabr) is now following your tweets on Twitter." oi?
4:12 PM Aug 27th from web

enqto isso, no gtalk... "eu acho que o monstro do lago ness tá na moda" / "eu acho q ele nunca sai de moda"
4:54 PM Aug 26th from twitgether

enqto isso... "o que vc tem vontade todo dia? ou toda hora? e nao sai da sua cabeça?" / "pensei em 2 respostas. mas, ok, cachorro quente."
4:50 PM Aug 26th from twitgether

se tem algo que eu nunca vou entender é como o Thom Yorke balança tanto a cabeça enquanto canta e não fica tonto. eu fico! só de ver!
11:12 AM Aug 25th from twitgether

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

a professora de teatro 6



- ah, é muito caro esse curso!
- na verdade, não. se você comparar, vai ver que todos os outros cursos extra-curriculares na cidade cobram o mesmo ou mais por uma aula de 1 hora por semana. eu dou duas aulas de 1 hora e meia.
- mesmo assim! você ganha o que? 10 reais por aula, por aluno?
- nem sempre chega a isso, depende do mês...
- é muito!
- olha, vou te dizer que não é. uns 25 reais por hora-aula ainda seria menos do que é realmente justo. não é só o trabalho aqui, além de tudo. eu preparo aula em casa, faço relatórios pra saber como conduzir a turma, estudo muito...
- ah, você acha que sua aula vale 10 reais?
- eu acho que vale muito mais. mas eu sou completamente apaixonada pelo teatro e eu sinto que preciso passar o que aprendi com o teatro para outras pessoas. o teatro me transformou, e eu quero possibilitar que mais pessoas sejam transformadas por ele. é como se eu tivesse uma missão, talvez. eu quero que crianças e adolescentes se tornem adultos melhores, através do teatro...
- com 10 reais eu compro um lanche pra minha filha.

(isso, investe na alimentação da sua filha e não na formação... obesidade feat. infelicidade: a gente vê por aqui. e, aliás, moça, onde, pelamordedeus, você tá pagando 10 reais num lanche? pq nos fast food da vida tá quase o dobro! compartilhaê a dica com os colegas!)

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Eu li num livro 36



Livro: Um Dia

Autor: David Nicholls

Doses de sabedoria:

* Eu acho que a realidade é algo muito superestimado.

* Sei por meio de suas cartas e por tê-la encontrado depois da sua peça que você sabe ao certo o que fazer da vida, está meio sem rumo, mas tudo bem, tudo certo, porque todo mundo é assim aos vinte e quatro anos. Na verdade, toda a nossa geração é assim. Eu li um artigo; é porque nunca lutamos numa guerra ou por termos passado muito tempo em frente à televisão ou algo assim. De qualquer forma, as únicas pessoas que têm rumo são muito chatas.

* Retomou a caminhada para o sul, em direção a The Mound. "Viver cada dia como se fosse o último" - esse era o conselho convencional, mas na verdade quem tinha energia para isso? E se chovesse ou você estivesse de mau humor? Simplesmente não era prático. Era bem melhor tentar ser boa, corajosa, audaciosa e se esforçar para fazer a diferença. Não exatamente mudar o mundo, mas um pouquinho ao redor. Seguir em frente, com paixão e uma máquina de escrever elétrica e trabalho duro em alguma coisa. Mudar a vida das pessoas através da arte, talvez. Alegrar os amigos, permanecer fiel aos próprios princípios, viver com paixão, bem e plenamente. Experimentar coisas novas. Amar e ser amada, se houver oportunidade.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Império Místico



A entrada do próximo milênio ainda está envolta em uma nuvem de mistérios. Por isso, numa época em que o avanço tecnológico é enorme e a ciência e a razão são os grandes mitos, a aldeia global naufraga em uma maré de misticismo, esoterismo e crendices em geral.

Essa nova onda está vindo com tamanha força que consegue atingir todas as classes sociais; tendo os novos místicos qualquer atividade profissional ou grau de instrução. E a procura maior desse novo ramo acontece nas horas de crise; sejam estas financeiras, conjugais ou profissionais. E os caminhos para encontrar o auxílio são muitos e variam entre a cartomancia, gnomos, astrologia, entre outros.

Quando o misticismo serve como base para criações literárias, casos de Fernando Pessoa e Cecília Meirelles, tem sempre aspecto positivo. As obras, frutos de instantes ocultos, brindam os leitores com momentos de entretenimento. E obtém tal sucesso pelo simples fato de serem livros em que o mistério e o desconhecido imperam.

Mas esta nova mania internacional também traz consquências negativas. Surgem em todos os cantos indivíduos que abusam da crença da população para lhe extraírem dinheiro. Além da criação de seitas, como a de Jim Jones, na Guiana, em 1975, que sempre culminam em tragédia, há perigos ainda maiores.

Essa mudança nos ideais de todos os habitantes do mundo pode significar um retorno à Idade Média. Por outro lado, é bom saber que tem-se sempre algo em que acreditar.

(3º colegial, tema - misticismo, redação nota 8)

sábado, 21 de setembro de 2013

Camiseta



O girino é o peixinho do sapo.
O silêncio é o começo do papo.
O bigode é a antena do gato.
O cavalo é o pasto do carrapato.
O cabrito é o cordeiro da cabra.
O pescoço é a barriga da cobra.
O leitão é um porquinho mais novo.
A galinha é um pouquinho do ovo.
O desejo é o começo do corpo.
Engordar é tarefa do porco.
A cegonha é a girafa do ganso.
O cachorro é um lobo mais manso.
O escuro é a metade da zebra.
As raízes são as veias da seiva.
O camelo é um cavalo sem sede.
Tartaruga por dentro é parede.
O potrinho é o bezerro da égua.
A batalha é o começo da trégua.
O papagaio é um dragão miniatura.
Bactéria num meio é cultura.

(li numa camiseta, há mais de 10 anos, anotei, guardei, esqueci... e reencontrei)

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Jessie - parte 01



- Por que você não pode ser uma criança normal, Jessie? Por qual motivo você precisa ser tão diferente?

Quando a mãe entenderia que ela era diferente? Que ela, em hipótese alguma, poderia ser normal?

- Eu converso com minhas amigas. As filhas delas brincam nas ruas com outras crianças. Tudo bem, você já tem 12 anos e pode não querer brincar, mas, pelo menos, poderia conversar com outras meninas, sair para passear. Você não tem amigos, Jessie, e isso me assusta.

E não assustava a ela? 12 anos sem ter com quem dividir todas aquelas... "coisas"? Ela percebeu muito cedo que era diferente, mas a mãe não percebia, fazia questão de não perceber.

- Você passa todos os dias no seu quarto. Computador, TV, rádio... Isso não é uma vida normal! Entenda isso! Você não pode ficar aqui em casa, só comigo e com aquelas estúpidas aranhas.

Estúpidas. Sua mãe chamava suas únicas amigas de estúpidas. Só elas ouviam suas queixas, suas angústias, suas dúvidas. Só elas não ligavam para aquelas coisas estranhas que aconteciam com ela.

- E aranhas, Jessie? Arrume um bicho normal. E que não se repita o que aconteceu com seu cachorro. Custava você cuidar direito dele?

Por mais que Jessie tentasse não pensar no que a mãe falava, ela insistia. E ela tinha que tocar no seu ponto fraco. Custava ter cuidado direito do cachorro? Ela amava Peter Parker mais do que a própria mãe. Peter não a cobrava, Peter a entendia e gostava dela. Ela não tinha culpa. Ela disse pra ele não se aproximar dela, mas ele era teimoso. Ela não queria que aquilo tivesse acontecido ao pobre cãozinho, não queria. Por isso preferia as aranhas. Dentro do vidro, elas não corriam riscos.

- Eu me esforcei tanto pra te criar sozinha. E você não se esforça pra me ajudar, você não quer ser uma filha normal.

As lágrimas já escorriam por seu rosto quando Jessie sentiu o calor. "Oh, não! De novo, não!", pensou.

- Eu não sei até quando vou aguentar, Jessie!

A mãe gritava, histérica. Ela sentiu o calor aumentar e correu para o banheiro. Trancou a porta, ligou o chuveiro e deixou a água escorrer pelo corpo, gelada, quase congelante, apagando as pequenas chamas que começavam a emanar de sua pele delicada.

Ao longe, ouviu a voz da mãe...

- E não pense que pode correr pro banheiro e fugir de mim!

Algum dia conseguiria fugir dela?

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Soneto das Flores


Nada mais eu vejo
A não ser as flores
Estas, de todos os tamanhos
E também de todas as cores

São rosas que nos convidam
A desfrutar, margaridas que são
Não são mais do que lírios
Flores-do-campo no coração

O tamanho de sua beleza
É impossível dizer
Frutos que são, da natureza

Elas nos poupam de toda dor
Talvez por serem
Cheias de vida, cheias de amor

terça-feira, 17 de setembro de 2013

sdds twitter 01


acho que decorei todas as malditas 123 falas. até a do advogado da união dos favelados, que não é nada seguro. brigadadeus!
3:06 PM Oct 13th from twitgether

"tem uma moedinha, linda? não? tudo bem, eu te amo." (acabei de ouvir de um mendigo, pra fechar bem a noite, rs)
12:14 AM Oct 10th from twitgether

protesto aqui perto: "nós vivemos em um país onde o patrão ganha mais que o empregado". certamente, nos outros países é diferente, né? pfff.
11:41 AM Oct 5th from twitgether

"Ele mexe comigo, esse garoto. Sempre. É sua única desvantagem. Ele pisoteia meu coração. Ele me faz chorar." (morte, sobre rudy steiner)
10:28 AM Sep 28th from web

o jacko, o patrick swayze e parte da minha infância morreram em 2009.
10:50 PM Sep 14th from twitgether

"você ri como uma diva dos anos 40... jogando a cabeça pra trás..." (hahaha) (joguei e ri, btw)
6:28 PM Sep 14th from twitgether

o teto do cine são josé desabou. é um cine/teatro lindo de s. roque. sempre quis vê-lo reformado. e muitas coisas acontecendo ali. blé.
11:42 AM Sep 14th from twitgether

eu já sou parcialmente uma assistente de mágico do oriente. muito ouro, muito glamour e muito mistério.
9:22 PM Sep 12th from twitgether

"vc tem uma fantasia pra mim?" / "tenho uma de mágico do oriente"/ (risos)
9:03 PM Sep 12th from twitgether

eu acabei de ganhar dinheiro com teatro pela primeira vez. tô chocada, aliás. a sensação é incrível.
3:33 PM Sep 12th from twitgether

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

a professora de teatro 5



- nossa, deve ser muito legal dar aulas de teatro.
- eu adoro!
- mas, me diz uma coisa: você nunca pensou em fazer teatro mesmo?
- como assim?
- você sabe... fazer teatro... tipo atriz...
- ah, eu sou atriz. tenho drt e tudo! rs
- mas já fez peça?
- 13, se não me engano. tô começando, ainda.
- que legal! mas fazer teatro mesmo você não quer, né?
- é... não entendi...
- eu digo, estudar. profissionalmente.
- então, é que eu já estudei. eu sou atriz, por formação. passei 5 anos estudando pra isso. e, agora, continuo estudando, mas fora da escola.
- nossa, que legal!

(legal, meu senhor, é você achar que eu ia dar aula sem nunca ter estudado teatro, né?)

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Eu li num livro 35


Livro: Marina

Autor: Carlos Ruiz Zafón

Dose de sabedoria:

* - Às vezes, as coisas mais reais só acontecem na imaginação, Óscar - disse ela. - A gente só se lembra do que nunca aconteceu.

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

O caminho das letras


A situação intelectual da sociedade brasileira é deplorável. É inquietante constatar que a população não conhece seu próprio idioma.

A sociedade atual, capitalista e consumista, contribui para a desvalorização da erudição em função de outros meios de comunicação, entre eles a endeusada televisão e os monstros digitais da nova era. Dessa forma, o antigo hábito de ler se tornou uma tarefa árdua e obrigatória.

Todos esses fatores culminam em uma alienação cultural. Apesar de ter-se acesso a todos os canais de informação, os cidadãos não a possuem. Tem-se dificuldade em redigir um texto e faltam raciocínio e senso crítico aos indivíduos.

É necessário ter consciência de que os verbos ler, pensar e escrever são totalmente opostos ao fatídico decorar. O personagem principal do romance Vidas Secas, Fabiano, não tem vontade de aprender e, com isso, acaba marginalizado. É caótico ver milhares de fabianos caminhando pelos grandes centros urbanos.

O homem é um ser pensante, capaz de refletir sobre sua existência e compreender o mundo em que vive. Apesar disso, através da abstinência cultural, a raça humana está se deteriorando. Em breve, tomará o caminho errado na escala da evolução: a regressão; se não voltar-se à leitura e à reflexão.

(3º colegial, tema - a importância da leitura, redação nota 8)