quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Inquietação


Que mundo estranho é esse,
Que trancafia os normais,
Para nós, que somos loucos,
Podermos viver em paz?

Realmente eu não entendo
Qual a lógica que há nisso.
E fico me remoendo...

Que planeta esquisito é esse
Que diferencia iguais?
Justiça? Não existe!
E já não aguento mais...

Quero um lugar diferente
Onde todos sejam semelhantes.
Tudo depende da gente?

sábado, 27 de outubro de 2012

Guerra


Uma única gota de discórdia,
Correndo mais rápido que o mar,
Transformando-se em um oceano de ódio,
Faz minha mente girar.

Num turbilhão de emoções,
Enfrento uma diversidade sentimental:
Um ciclone de informações
Desequilibrando o bem e o mal.

Difíceis escolhas,
Com desagradáveis surpresas.
No Império da alegria,
Chega um tempo de tristezas.

Os guerreiros dentro de mim
Não desistem de lutar contra a dor,
E um dia irão vencer.
A sua arma é mais forte, o amor!

terça-feira, 23 de outubro de 2012

carta aberta sobre se dar em pedaços




querido amigo joely,

não importa quantas vezes você me apague, a ponto de parecer ter se tornado uma outra pessoa (sempre), eu sempre estarei aqui pra lembrar como eu sou. pois, de alguma forma, eu acho que sempre existirei na sua vida. destino? acaso? fanfarronice? 

a verdade, meu caro, é que muda o joel, mas não muda a clem. eu sou sempre a mesma. e, no meu caso, ser sempre a mesma é exatamente ser sempre impulsivamente nova e diferente. e o contrário disso também. clem antítese que anda e fala, que pensa e sente (sente muito mais do que pensa), que ri e chora, que ama e mente (muito amor e pouca mentira, sendo bem honesta). 

e, entre as coisas que não mudam, esse meu imediatismo. essa necessidade de resolver tudo já, de fazer tudo agora. tenho esse receio imenso de deixar pra depois. e se o depois não existir? e se, no depois, um de nós dois deixar de existir? 

te incomoda, como incomodou aos outros joels que vieram antes de você, que eu não saiba respeitar o tempo alheio. que eu insista numa resposta rápida pra tudo. você precisa de tempo pra pensar, mas eu penso no tempo que se perde pensando. na minha mente impulsiva, pensamento não tem vez! é impulso. é pulsão. é vontade. e, sobre isso, não se pensa. tempo pra escolher as palavras... pra que escolher, joely? elas estão aí? elas querem sair? deixa... não escolhe. não se preocupa em entender, não se preocupa com as consequências. estou errada? provavelmente. mas só sei viver assim. mesmo que isso causa dor. 

o que eu queria que você entendesse é que esse tempo que você está usando pra pensar e escolher palavras, a gente podia usar pra conversar, pra rir, pra falar besteira, pra restaurar essa amizade que está se perdendo. o medo maior é, ao perder o tempo, perder você...

a vida é tão curta e a gente fica se dando em pedaços, joely...

every now and then, I get a little bit nervous that the best of all the years have gone by...

clem

sábado, 20 de outubro de 2012

Eu li num livro 22



Livro: Precisamos falar sobre o Kevin

Autor: Lionel Shriver

Doses de sabedoria:

* "Que sorte temos quando somos poupados daquilo que achamos que queremos."

* "Eu sei, Fanhoso era só um bichinho de estimação, um bichinho caro, e algum tipo de final infeliz seria inevitável. Eu devia ter pensado nisso antes de lhe dar o presente, se bem que é óbvio que evitar relacionamentos por medo da perda é evitar a vida."

* "As pessoas parecem capazes de se acostumar com qualquer coisa e a distância é muito curta entre adaptação e apego."

* "Nada é interessante, se você não estiver interessado."

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

o touro e o escorpião




o touro nunca havia gostado de escorpiões. escorpiões eram traiçoeiros, chatos, venenosos... até que o touro conheceu um escorpião diferente de todos os outros. o mais amigo e companheiro e querido e divertido que poderia existir na face da terra...

primeiro, o touro era moreno. o escorpião era loiro. o touro, com mais experiência, não tinha muita paciência praquele povo deslumbrado, começando. mas o escorpião era diferente. não era deslumbrado. estava começando e, lindamente, já não tinha paciência pra amador. um escorpião divo! e o touro dizia "com aquele jeito dele, desligado, na dele, falando bobagem e fazendo todo mundo rir, o escorpião é o mais sábio dessa turma...". e era.

um tempo depois, o touro era loiro. o escorpião, moreno. uma inversão, mas a única. de resto, eram iguais. e talvez isso os aproximasse, esse apego ferrenho a uma personalidade imutável, a valores imutáveis, mesmo sendo duas metarmofoses ambulantes. o touro era a busca da beleza, o escorpião era a representação da beleza. encontraram-se. alcançaram-se. num cenário em que não havia qualquer relação, eles a criaram. um olhar, um sorriso, o oferecimento de um doce, um ligeiro toque de mãos... uma amizade traçada.

e, então, ambos se enfeitaram. se montaram. viraram divas! dois pequenos animais notáveis! coincidentemente (será?), em meio a uma profusão de cores, ambos de prata! o escorpião tinha a mais linda voz, o touro - mesmo sem voz nenhuma - tinha as mãos e os olhos e as bocas. juntos, escorpião e touro, eram voz e mãos e bocas e olhos. eram perfeição!

tudo isso pra no final - que era só o começo - estarem em lados opostos, inimigos. mas só de mentirinha. na vida, eram cada vez mais próximos, mais amigos. tinham cada vez mais planos juntos, misturando o roxo e o rosa.

pq sem a vilã, a mocinha seria chata... e sem a mocinha, não tem motivo pra vilã existir.

pq é necessário voz e olhos e mãos e bocas pra construir uma carmen miranda.

pq só a poetisa alcança a vitória...

oba!

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

carta aberta a um parceiro de dança




quando soubemos do espetáculo e das possibilidades que teríamos dentro dele, de uma coisa tínhamos certeza: queríamos estar juntos na última dança, no grand finale. representação de tudo que aquilo significava pra gente: o espetáculo, o momento, a música, a dança e, acima de tudo, a nossa amizade. parceria. e assim foi. antes, eu dançava com outro. vc, dançava com outra. e o que importava o antes se, no fim, na grande dança, éramos eu e vc? só sabia dançar com vc...

no palco e na vida. 
"vc é a melhor companhia de pishta ever!"
"e vc é a melhor companhia de pista e de vida!"
seguia só sabendo dançar com vc...

e, então, a possibilidade, de termos TODAS as danças. todas as danças só pra gente. só pra gente se divertir, improvisar, criar, melhorar, se deleitar... possibilidade que vira fato. mas, ao mesmo tempo, vira maldição. pq os passos se desencontram e, de repente, sem explicação e de forma assustadora, tudo que eu queria era não precisar dançar com vc. era um outro parceiro de dança. um com quem eu me divertisse, com quem existisse comunhão. os ensaios são uma tortura. o medo do fracasso me assombra. medo de errar o passo, de cair no meio da dança ou - tão terrível quanto, mas mais provável - de os passos estarem todos certinhos, mas da gente dançar sem brilho, sem emoção, sem causar admiração. uma dança mecanicamente perfeita no lugar da dança intuitivamente genial que poderia ter sido. 

não sei mais dançar com vc.
e, em cada passo que dou nessa dança, vou perdendo a esperança de voltar a saber...