sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Liberdade



João era um menino feliz. Era livre. Podia fazer o que quisesse. E tinha pena dos outros que ficavam presos dentro de casa.

Ao passar por uma janela, viu um menino preso em casa, olhando pra rua. Então, perguntou:

- O que está fazendo?
- Olhando a rua.
- Qual é seu nome?
- Meu nome é Marcos. E o seu?
- João.
- Prazer em conhecê-lo, João.
- Não quer sair para ver mais de perto a rua?
- Meus pais não deixam.
- Por que não?
- Dizem que é perigoso.
- Você gosta de ficar aí dentro?
- Gostar, não gosto muito. Mas sou feliz.
- Como?
- Tenho casa, comida, brinquedos, roupas, pais que me adoram, amigos e muitas outras coisas.
- Mas você não é totalmente feliz.
- Por que não?
- Tem uma coisa que falta para você ser feliz. Uma coisa que eu tenho e que você não tem.
- O quê?
- Uma coisa que todos precisam ter.
- Diga, o que é?
- Liberdade.

E sai feliz pelas ruas, livre como sempre, o João.

(outubro de 91, 5ª série, redação com o tema "imagine um diálogo entre dois meninos; um está na rua, livre para fazer o que quiser, e o outro preso", com uma - injusta, rs - nota 7)

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

a professora de teatro 4



- aqui é só aula de teatro?
- isso.
- não tem dança?
- não, mas o teatro trabalha até mais coisas que a dança, pq...
(interrompendo) - olha, desculpa, mas teatro não serve pra nada. eu quero que minha filha faça algo útil.

(bota a menina pra carpir, beijos)

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Eu li num livro 34



Livro: O Livro do Cemitério

Autor: Neil Gaiman

Doses de sabedoria:

* - (...) E sempre havia gente que achava que a vida tinha ficado tão insuportável que acreditava que a melhor coisa a fazer era apressar a transição para outra dimensão de existência.
- Eles se mataram, é isso? - disse Nin. Ele tinha quase oito anos, de olhos arregalados e inquisitivos, e não era burro.
- De fato.
- E deu certo? Elas foram mais felizes mortas?
- Às vezes. A maioria não. É como as pessoas que acreditam que serão mais felizes se elas se mudarem para outro lugar, mas que logo percebem que não é assim que funciona. Para onde quer que você vá, leva a si mesmo.

* E eu ainda me sinto como antigamente, quando eu era uma coisinha de nada, fazendo colares de margaridas no antigo pasto. Você é sempre você, isso não muda, mas estamos sempre mudando e não há nada que se possa fazer a respeito disso.

* Mas entre agora e então havia a Vida.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Em terra de cego...



Era um grande conquistador. Todas as ilhas daqueles mares tinham sido conquistadas por ele. Eram povos tolos, fáceis de enganar; que a ele se submetiam e por ele eram manipulados.

Além de grande, era incansável. Saía para uma viagem e voltava depois de anos. Trazia várias conquistas nas costas... e uma fadiga já visível. Revia os amigos, passava a noite bebendo e dançando. No dia seguinte, pegava o navio.

Mais uma viagem! De longe, avistou duas ilhas...

Desceu na primeira e teve uma surpresa: todos os habitantes eram mudos. Reuniu a população e questionou sobre o governo. Perguntou se poderia ser o rei e chefe supremo, não obtendo resposta. O povo se mexia, negava com a cabeça... atitudes em vão! Já era tarde demais! Quem cala, consente.

Desceu na segunda. Poderia parecer incrível, mas lá, também, ninguém falava. Fez as mesmas perguntas e ouviu o mesmo silêncio. Julgou-se rei.

Triste ilusão! O povo da ilha, já que não podia falar, tinha desenvolvido sua telepatia. E sentiram nojo daquele ser primitivo que precisava abrir a boca para se comunicar. Sem sequer se mexer, tiveram uma reunião. Decidiram matá-lo.

Em terra de cego... quem tem um olho, nem sempre é rei!

(2º colegial, tema - em terra de cego quem tem um olho é rei, redação nota 7, de 30 de maio de 1996)

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Rap do Romeu e Julieta



A:
Todo mundo devia, nessa história se ligar
Porque tem muita gente que não pode amar
Embarcar nesse sonho, da realidade escapar
E entender o sentido da história que eu vou contar

Solta o rap, DJ!

B: 
Era só um Montéquio
Que a estrela não brilha
E amava Julieta
Que era de outra família

Repete B

Tudo aconteceu
No século XVI
Lá em Verona
Reino bonito e cortês
Capuletos e Montéquios
Brigavam de montão
Mas ocorreu uma mudança
Na nova geração

Repete B (2x)

O jovem Romeu
Com Julieta se encontrou
E ela correspondeu
E a confusão começou
E num baile de máscaras
Eles se conheceram
E num passe de mágica
Ambos desapareceram
Bonita, de boa família,
E na flor da idade
Ela se casaria com Páris
Jovem nobre da cidade

Repete A

Repete B (2x)

E anoitecia
Romeu se preparava
Para curtir a paixão
Que em suas veias rolava
Encontrou sua amada
No jardim, a pensar
Trocaram juras de amor
E decidiram casar
Com palavras bonitas
Seus nomes negaram
E com o apoio do frei
Os amantes casaram
Sua alegria era tanta
Mas a briga continuava
Esconderam o romance
Enquanto o tempo passava

C:
Mas naquela triste noite
Algo de ruim ocorreu
Julieta fingiu estar morta
Para fugir com Romeu
Não sabendo dos planos
Ele acreditou ser verdade
E com o veneno
Abandonou a mediocridade
E a pobre Julieta
Teve que se matar
Para encontrar o amado
E a paz ali reinar

Repete B (2x)

Repete C

Repete B

(aí eu vou jogar coisas antigas fora e encontro essa pérola... bjus, sou rapper)

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Espaço


Astronauta 1:
Um mundo novo estamos desbravando
Apesar da imensa escuridão
Por todo o Universo vamos viajando
Vítimas da imensa solidão
O Universo vamos conquistando
Com a Terra no coração
É tudo tão esquisito
E, ao mesmo tempo, tão bonito.

Astronauta 2:
Estamos em busca do desconhecido
Para o Universo conquistar
Mesmo tendo saudades, já teremos partido
Não haverá meios de voltar
Vênus, Júpiter, um mundo esquecido
Quem sabe o que irá se encontrar?
Por tantos lugares passará nossa expedição...
Mas na Terra sempre estará nosso coração.

Astronauta 3:
Toda a nossa viagem pelo Universo
Estaremos longe do planeta querido
Esperando que tudo seja o inverso
Seja grande e desconhecido
Planetas e estrelas sejam como verso
Tudo bonito e jamais esquecido
A satisfação não terá tamanho
Para todo o conhecimento ganho.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

amores imaginários (ou "eu vi num filme")



"Rejeição é difícil, mas é melhor resolvê-la logo. Não? É como uma guilhotina. Mas esperar uma resposta, passar semanas pensando que sou uma merda enquanto ele vai embora. Loucura, não? É como ter sua cabeça cortada em câmera lenta. É como um longo e persistente 'Não'. Mas, em um certo ponto, você perde a paciência. Você se esgota. Você se esgota e tudo fica desprezível, tudo fica escuro e podre. Então, eu apertei 'Enviar'."

(do filme Les amours imaginaires)

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

September 6, 2002

Acho que falsos amigos podem ser comparados a drogas. Quer dizer, eu nunca usei drogas, então não sei se eu posso realmente fazer essa comparação. Mas o mundo está cheio de exemplos, e qualquer um hoje em dia já conhece os efeitos, mesmo que por outros. Em todo caso, chega uma hora que você percebe que seu suposto amigo está te destruindo e você decide ficar longe deles. No início você sente falta, mas a vontade de parar é maior! Os efeitos que ele causa em você ainda estão visíveis e servem como um aviso, algo tipo “Ei, não faça essa burrada de novo!”. Um dia você consegue esquecer que já foi dependente desse “amigo”, mas não existe ex-viciado, é bom lembrar! A qualquer momento, você vai sentir uma vontade, mesmo que pequenininha de voltar. Podem passar 20 anos e, um belo dia, você vai ouvir uma música que vai lembrar dele e essa vontade vai se manifestar. Mas aí você já vai ter um auto-controle, seu ego já vai dominar o id, e você não vai correr o risco de ir atrás dele e de voltar a esse submundo.(Ou não... Eu só tenho 21, não vivi esse exemplo ainda) O grande problema, é a crise de abstinência... Uns dois ou três meses depois as marcas já vão ter sumido e você vai ficar sem entender pq se afastou. Você sabe o pq, na verdade, mas não quer lembrar. Pq a vontade de voltar é maior, é tão grande que já não cabe em você. Vira uma necessidade! Você precisa dessa pessoa medíocre para não abandonar tudo! Você chora, se machuca, pensa em suicídio e pensa 450 mil vezes por dia em voltar a ser como antes. Nessa hora, você precisa que te mantenham afastada dele, a todo custo! 

(pq a vida na faculdade não era fácil... rs)

terça-feira, 13 de agosto de 2013

a professora de teatro 3



- aula de teatro? que legal! mas a pessoa sai daqui e vai pra onde?
- como assim? (pensando: "pra onde ela quiser ir... pra casa dela... pro mercado...")
- assim: ela faz o curso e depois?
- bom, ela pode continuar estudando, fazendo outros cursos... ou levar profissionalmente. depende de cada um.
- mas você não encaminha pra, tipo... novela, filme?
- olha, eu posso até ajudar, dar dicas... mas eu não posso garantir nada. depende de tanta coisa... vontade, talento, dedicação, comprometimento...
- ah, então é complicado. pq eu sei de cursos que garantem, na matrícula, que você vai se formar e ir pra globo.

(olha... sem palavras)

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Eu li num livro 33



Livro: O Santo Inquérito

Autor: Dias Gomes

Doses de sabedoria:

* Acho que as boas ações só valem quando não são calculadas. E Deus não deve levar em conta aqueles que praticam o bem só com a intenção de agradar-lhe.

* Não foi querendo agradar a Deus que eu me atirei ao rio para salvá-lo. Foi porque isso me deixaria satisfeita comigo mesma. Porque era um gesto de amor ao meu semelhante. E é no amor que a gente se encontra com Deus. No amor, no prazer e na alegria de viver.

* Não... realmente, não aconteceu nada. Não sei explicar. Mas de um momento para outro, eu me senti tão só, tão desamparada. Só me aconteceu isso uma vez, quando eu era menina e alguém me disse que a Terra se movia no espaço. Não sei que sábio havia descoberto. Até então, a Terra me parecia tão sólida, tão firme... de repente, comecei a pensar em mim mesma, uma pobre criança, montada num planeta louco, que corria pelo céu girando em volta de si mesmo, como um pião. E tive medo, pela primeira vez na vida. Uma sensação de insegurança me fez passar noites sem dormir, imaginando que durante o sono podia rolar no espaço, como uma estrela cadente.

* Há um mínimo de dignidade que o homem não pode negociar, nem mesmo em troca de liberdade. Nem mesmo em troca do sol.

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Carreiras

Todo jovem, quando chega ao colegial, já começa a pensar em um assunto: vestibular. As opções de carreira são muitas e confundem o adolescente. Nesta fase, ele ainda não sabe se deve seguir seus ideais, as vontades de seus pais ou simplesmente se adequar ao mercado de trabalho.

Seguir a vontade de seus pais o livraria de imensas discussões familiares. Além disso, os pais geralmente têm uma visão mais madura do que acontece no mundo, optando por profissões em que o jovem terá um aproveitamento melhor. O único problema é que, nem sempre, o adolescente se sentirá realizado.

Se essa pessoa optar por profissões que atendam ao mercado de trabalho, poderá ter e dar à sua família uma condição melhor de vida. Mas essa situação encontra a mesma dificuldade da anterior: a felicidade do jovem.

Contrariando essas duas opções e cursando o que realmente deseja, o adolescente se sentirá bem. Apesar de conflitos, falta de trabalho na área que escolheu e outros problemas; se dedicará totalmente aos estudos. E, quem sabe, não surpreende a sociedade ganhando dinheiro em uma carreira pouco procurada.

Não importando o que ele siga, tomara que seja feliz. Do mesmo jeito que precisamos de médicos e advogados, precisamos de artistas e paleontólogos. Afinal, o que seria do azul se todos gostassem do verde?

(2º colegial, tema - escolha profissional, redação nota 8, de 16 de maio de 1996)

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Post de 2008 perdido



Eu nunca fui tão “acompanhada” como sou agora.
As pessoas que convivem comigo percebem que eu ando estranha... E tentam fazer algo. Eu sinto isso.
Demonstram uma presença constante.
Disputam minha atenção de uma forma infantilmente fofa... “Ah, você foi com quem? E pq não me chamou? Vc me abandona... Eu tenho ciúmes!”
Uma forma que eu sei que é só pra me deixar bem, me achando importante, me sentindo querida.
Mas eu finjo que não sei, pra não estragar a brincadeira. É minha forma de agradecer!
E aí eu descubro amigos inimagináveis!
Ela me bloqueou no MSN e eu descobri sem querer. Mas, hoje, ela me deixa recados maravilhosos no mesmo MSN todos os dias.
Ele, o pistoleiro, pouco aparecia. Agora, não desaparece. Ligações diárias, carinho constante.
Ela deu mancadas. A última quando eu mais precisei. Mas ela faz questão de deixar claro que eu sou única. E especial.
Ele foi de “best friend” a inimigo forever. E voltou. E se tornou o fiel escudeiro. E conversamos, rimos, teatramos, baladeamos, discutimos a vida, filosofamos, questionamos... amo.
Elas continuam sendo incríveis. A gente demorou pra estabelecer a amizade, mas agora é. Existe. Sempre. E elas ouvem as mesmas dúvidas e lamentos sempre. E conseguem não fazer cara de tédio.
Ele, companhia de momentos submarinos, se tornou companhia de vida.
E ela, a bésti, a sincera... Me provou que eu sou uma besta e deixei a distância entrar onde não devia.
E tem as duas. O sangue. O amor eterno. Que me fazem acreditar que Deus gosta muito de mim, por me dar 2 amigas tão incríveis de sempre. De barriga, de berço. Mãe. E irmã.
Pessoas fantásticas.
E eu devo ter algum defeito de fábrica pra, ainda assim, me sentir sempre tão sozinha...

(5 anos se passam... e a gente nem sempre muda...)

sábado, 3 de agosto de 2013

Índios



Nas entranhas do Brasil
Vive esta raça
E, desde os tempos mais remotos,
São exterminados em massa.

O que será deste país
Que nega sua própria origem?
Discrimina e mata
Esses povos da mata-virgem?

Eles viviam em harmonia
Com toda a natureza
Mas o homem branco aparece
E estraga toda essa beleza.

Saíram de longe, muito longe
E este continente vieram povoar.
Hoje em dia são ignorados
E perderam as forças para lutar.

Neste mundão enorme
Comparam o indígena a um bicho
E por esse e outros motivos
São tratados como lixo.

Temos que esquecer os preconceitos
E usar a mente e o coração
Perceber que apesar das diferenças
Esse povo é nosso irmão.

(aí eu tinha 14 anos e a professora queria uma pesquisa sobre os índios no Brasil, mas com algum diferencial...fiz uma poesia. hoje em dia, mudaria meu sobrenome no facebook por guarani-kaiowá, pq, né?)

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

o dia em que me decepcionei com a claro brasil

até hoje eu sempre elogiava a Claro Brasil... via os amigos reclamando das outras operadoras e falava que eles precisavam mudar pra claro, que nunca me deu problemas... até hoje. 

hoje eu recebi um sms dizendo que meu celular estava com o serviço de sms bloqueado por uso indevido. oi? liguei pra operadora. óbvio. a primeira atendente me devolveu pra ura. e lá vão mais 3 minutos pra conseguir voltar pro atendimento, já irritada. 

aí a segunda atendente me diz que eu não estou com o sms bloqueado, o que está bloqueado é a promoção (que eu paguei pra ter, btw), que me dá direito a até 300 torpedos por dia, por R$0,50. mas eu posso continuar mandando sms, pagando R$0,30 por cada um. ok. eu uso o sms pra me comunicar com família, amigos e resolver problemas do meu grupo de teatro. eu mando cerca de 60 sms por dia. que bom (alta dose de ironia) que eu posso continuar fazendo isso, pagando R$18,00 por dia. valeu, Claro, por ser tão legal só que nem um pouco com seus clientes!

quando eu questionei o uso indevido, me falam que eu estou usando o sms pra mandar mensagens publicitárias. oi? de novo: oi?
1. eu só uso pra conversas com amigos e familiares.
2. se eu usasse pra mensagem publicitária, como eles saberiam? eles estão lendo minhas mensagens? beijos, grande irmão? a claro acha que tem o direito de invadir minha privacidade, ler o que eu escrevo e controlar a minha vida?

resposta da atendente: não pode fazer nada, só solicitar que seja verificado, enquanto eu aguardo. por 5 dias úteis. sem me comunicar. por uma falha deles. do sistema, como ela fez questão de ressaltar. ahan.

ok, existe ainda alguma operadora que preste?