terça-feira, 28 de abril de 2009

Tentando se segurar numa alça lilás


Entrou no elevador.
A um canto, outra mulher segurava firme debaixo do braço uma enorme bolsa lilás.
- Que ousadia, uma bolsa lilás- sorriu ela.
- Acabei de dizer a um homem que o amo- respondeu a outra. - Então entrei numa loja e, entre todas, escolhi essa bolsa. Eu precisava sentir nas mãos a minha audácia.
Não sorriu. Agarrou-se náufraga na alça.
(Marina Colasanti)

* meu conto preferido dela. pq, às vezes, a gente precisa sentir nas mãos nossa audácia. *

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Êpa, êpa Babá


Os filhos de Oxalá são descritos como introvertidos e reservados, extremamente pacientes, calmos, de movimentos lentos, características que encobrem uma excelente inteligência lógica. Gostam de entender como as coisas funcionam e, por isso, dede crianças, gostam de desmontar e montar os brinquedos. Têm valores morais muito arraigados e detestam pedir ajuda aos outros. Gostam de se isolar e são extremamente autoconfiantes. Nunca, ou quase nunca, se metem em encrencas e raramente fazem inimigos. Detestam discussões e não sabem dizer "não". Gostam de sexo e são amantes sedutores, apesar da timidez. Sinceros e românticos, amam de todo o coração e não sabem esconder suas emoções. E não guardam rancor! Gostam de agir a sua maneira, sem levar em consideração conselhos e opiniões de quem quer que seja. Costumam estar envolvidos com causas sociais justas. São tolerantes e desprendidos.
* Quando eu decidi que a Lindalva seria filha de Oxalá, confesso, foi pra ela ter um pouco de mim, já que ela, diferente da Emília e da Sílvia, não tinha nada. Óbvio, pra ela ser como era, tive que colocar Oxum no meio. Funcionou. Pra ser como eu, teria que trocar Oxum por Nanã. O que me lembra uma amiga dizendo "as pessoas filhas de Oxalá são aquelas que têm sabedoria de velhos, já nascem sabendo muito... se são de Oxalá e Nanã, aí tem tudo de velho, comportamento, jeito, etc". Essa sou eu!*

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Clementine Gale


eu? eu diria que sou a menina gale, que escapou do ciclone e esqueceu que era o ciclone que tinha que escapar dela. e seguiu pela estrada de tijolos amarelos, carregando o ciclone na mente e no coração, com seus pés pequeninos, tamanho 34, com frases célebres de filmes tatuadas neles. por vezes, sozinha. por vezes, acompanhada por pessoas sem coragem, sem coração, sem cérebro. por vezes, acompanhada de pessoas transbordantes de cérebro e/ou coração e/ou coragem.

e, também, a moça clementine, cujo corpo nunca foi capaz de conter a intensidade de suas emoções e segue por um mundo escrito por garcia márquez, vendo e sentindo como quintana, enquanto vive uma vida roteirizada por almodóvar e se ocupa em ser uma personagem de isabel allende, nascida para o ódio exagerado, a vingança apocalíptica, o heroísmo mais sublime e a grandeza de um só amor...