sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Eu sou prosa, ela é poesia




Por muitas vezes tento fazer poesias sobre (e para) a Brú. Mas elas não saem! Já fiz muitas poesias em minha vida, todas falsas e medíocres. Sou a vergonha de Drummond, Quintana, Pessoa. Cada verso, cada rima é uma mentira e não tem um pingo de mim. E por isso eu não consigo escrever! Pq, por mais que a Bruna seja pura poesia, eu não sou. A Bruna é um todo poético, um universo de hipérboles e eufemismos, um emaranhado de clichês e beleza. Ela é o cabelo da cor da noite, os olhos que brilham, o sorriso que ofusca. Ela é todo o exagero romântico dos poetas, o oito ou oitenta, o tudo ou nada. Ela é a profusão de sentimentos e qualidades: o amor, a felicidade, a alegria, a simplicidade, a autenticidade e tudo mais. Ela é todas as palavras encontradas em montes de versos pelo mundo inteiro: princesa, anjo, lua, sol, estrela, sonho, saudade... A Bruna, pra mim, é um verso de Quintana: simples, quase infantil, pleno, puro, ingênuo, forte e lindo. E a Bruna é parte de mim... E, como eu disse antes, minhas poesias não têm um pingo de mim. E eu sei que ela entende isso...

Eu? Eu sou prosa...

(originalmente publicado em 08 de setembro de 2005. continuo sendo prosa.)

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Eu li num livro 23




Livro: Bodas de Sangue

Autor: Garcia Lorca

Dose de sabedoria:

* Calar e arder são o castigo maior que podemos nos infligir. De que me serviu o orgulho, e não te olhar, e deixar-te acordada todas as noites? De nada! Serviu para me incendiar! Porque tu crês que o tempo cura e que as paredes tapam, e não é verdade, não é verdade. Quando as coisas calam fundo não há quem as arranque.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

O joystick divino


O grande problema de viver é que não vem com manual de instruções. Deveria. Pq atualmente eu tô achando que tudo é um enorme vídeo-game e nós somos os Alex Kids daquele cara (Deus, destino, a Força, Alá, chame como preferir). Não sei se a gente já veio de uma fase anterior ou essa é a primeira. Imagino que o objetivo seja acumular pontos. Obstáculos e o modo como você os encara geram tantos pontos. Positivos ou negativos. Se alguém te sacaneia e você manda matar essa pessoa, vc perde milhões de pontos. Se vc tem uma conversa sincera com a pessoa, dizendo como se sente, ganha pontos. Se vc perdoa essa pessoa de coração ganha infinitos pontos (mas eu acredito que poucas pessoas consigam desempenhar essa tarefa). E assim vai... Ações espontâneas tb podem te garantir ou te tirar pontos. Se vc chuta um gato do nada - bam! - menos pontos. Se vc dá um presente só pra ver a felicidade de outra pessoa - pim!! - mais pontos. 

Pode ser também que tenham existido fases anteriores e que a gente já venha delas com um número X de pontos, que varia de acordo com a pessoa.

De qualquer modo, existe uma hora da nossa vida nessa fase que a gente junta um número absurdo de pontos. E aí acabou. Não tem mais o que juntar. E você pode e deve passar pra outra fase; talvez zerar o jogo e chegar a um estágio estilão paraíso (ou castelo do Mickey com direito a encontro com a Minnie). É nessa hora que você fica doente. Sofre um acidente. Alguém muito do mal te dá um tiro. E seu coração pára. 

E aí eu fico me perguntando como é que a Bruna conseguiu juntar esses pontos tão rápido....

(texto de agosto de 2005)

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Gramática


Num labirinto de interrogações,
Procuro um ponto final;
Em meio às exclamações
Daqueles que procuram o mal.

Eu, pronome reto,
Caminho por entre oblíquos
Buscando um futuro incerto.

Andando pelo presente,
Saúdo pronomes e sujeitos.
Sou seguida por pretéritos,
Perfeitos e imperfeitos.

Encontro um verbo, sem regência.
Para poder desvendá-lo
Precisarei de muita paciência.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Expor



"Do ponto de vista da experiência, o importante não é nem a "posição" (nossa maneira de pormos), nem a “oposição” (nossa maneira de opormos), nem a “imposição” (nossa maneira de impormos), nem a “proposição” (nossa maneira de propormos), mas a “exposição”, nossa maneira de “expormos”, com tudo o que isso tem de vulnerabilidade e de risco. Por isso é incapaz de experiência aquele que se põe, ou se opõe, ou se impõe, ou se propõe, mas não se “expõe”. É incapaz de experiência aquele a quem nada lhe passa, a quem nada lhe acontece, a quem nada lhe sucede, a quem nada o toca, nada lhe chega, nada o afeta, a quem nada o ameaça, a quem nada ocorre."

(Notas sobre a experiência e o saber de experiência - Jorge Larrosa Bondía)

(dica de um munch muito amado...)