terça-feira, 3 de junho de 2014

ano 7, seulyndo!




Anos leoninos são anos luminosos, Talita. Envolvem a percepção daquilo que lhe faz ser uma pessoa especial e diferente de todas as outras, reconhecendo seus talentos, seu brilho próprio, o que termina possibilitando de forma muito clara que você conquiste um lugar especial ao Sol. Nestes próximos doze meses, você desenvolverá muito mais consciência de si, procurando agir de forma criativa com o intuito de obter um senso de auto-realização e engrandecimento pessoal. Você estará irradiando sua personalidade com tamanho magnetismo e firmeza que as pessoas se sentirão atraídas por você. Há a possibilidade de atrair inveja, como efeito colateral, mas não se preocupe muito com isto - afinal de contas, as únicas pessoas que não são invejadas são as pessoas medíocres! 

Como Leão representa a criatividade, é esperado que você venha a conseguir tomar atitudes inusitadas e muito originais em seu campo de atuação, praticamente se destacando da média. Anos leoninos são anos em que a pessoa sai aplaudida, e mesmo que não deseje chamar atenção, termina chamando. Como Leão representa o princípio da vitalidade e do prazer, as situações de lazer são favoráveis, assim como as festas, os romances, as atividades sociais, em suma, toda e qualquer situação em que você possa exercer este brilho solar especial. 

Leão representa também, Talita, o resgate da criança interior. Quais as coisas que lhe divertem, que lhe dão prazer? Você descobrirá, este ano, que é possível viver a vida fazendo apenas as coisas de que gosta, divertindo-se até mesmo nas situações de obrigação. É como se tudo fosse motivo para festa, o que não representa - em absoluto - irresponsabilidade. Acontece apenas que você estará exercendo plenamente o seu direito de ser feliz. Cabe a você aceitar isso. Leão lhe convoca a abdicar de toda e qualquer situação de vítima, e a assumir as rédeas de comando de sua própria existência. 

quarta-feira, 5 de março de 2014

deus e a folia



último dia de folia. 
cansaço.
longa jornada noite adentro pra levar as pessoas.
rápido cochilo no carro.
pirulito de framboesa.
uma mistura que não é do brasil com o egito: de alegria e angústia.
aí a menina conceitual precisava desesperadamente de um banheiro.
e voltamos ao centro da folia. um boteco.
enquanto dri e katy bagunceira estavam na fila do banheiro, sento num banco, no balcão.
o dono do bar, um velhinho que me lembrou seu humberto, reclamando. reclamando com todos. ia fechar. tinha que fechar.
me pergunta: - vc vai ao banheiro também?
péssimo humor.
sorrio e digo que não, que estou só esperando.
ele reclama comigo também. vai fechar. precisa fechar. pq a prefeitura... ele tá só trabalhando, mas, nesse país, a gente nem pode trabalhar. péssimo humor.
ouço, concordo com a cabeça. sorrio.
pq esses caras todos na rua, ilegais, ninguém fiscaliza. mas ele, ali, caem em cima. humor ruim.
concordo. aceito o desabafo. sorrio.
ele suspira. como se tivesse se dado conta de que sua reclamação toda não vai levar a nada. e vai arrumar seu bar, seu reino, pra ir embora. ele e suas reclamações, seu péssimo humor.
adriana volta, senta ao meu lado. pego meu celular na bolsa dela. 
aí a angústia aumenta.
vontade de reclamar, que nem o velhinho.
vontade de reclamar com o cara lá de cima. 
pq a gente tinha um trato. se fosse assim, seria assim. se fosse assado, seria assado. os sinais dele, pautando meus rumos, minhas decisões.
e não foi assim, nem assado. talvez mais próximo do assado, se eu analisasse bem. mas.... sério? como pode ser mais próximo do assado, com todo esse cenário? olha, eu acho que vc errou no sinal. e você é deus, vc não deveria falhar.
suspiro. guardo o celular. torço a boca pro lado direito. sempre o meu eterno código da boca torcida. meu sinal de "tornado interno".
e, então, o velhinho surge na minha frente. com a mão fechada. abre, um bubaloo e um chiclete de caixinha. 
"pra você"
dois chicletes rosas. para uma rosa abandonada no b612.
"obrigada". sorriso diante do inesperado.
katy bagunceira volta, preguiça de levantar, overdose de folia.
e o velhinho já tá lá fora, fechando as portas. achamos que era melhor ir.
na porta, ele esperava nossa saída. 
um tchau pra dri.
katy deu tapinhas no ombro dele.
quando eu fui passar, ele sorriu. sem sinal do péssimo humor. sorri também e agradeci.
estendi a mão. ele apertou. e me puxou pra um abraço. abraço de vô. 
#bff de repente. blanche dubois, dependendo de estranhos.
a angústia ficou mais leve. essas formas que ele encontra de falar comigo, colocando essas aparições no meu caminho.
mas ainda não entendo seus sinais. 
e gostaria de entendê-los.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

carta aberta de uma rosa



essa carta não é endereçada a ninguém. sem destinatário. ou talvez seja uma carta pra mim. ou talvez seja uma carta pra humanidade. (ou talvez seja uma carta - outra - pra única pessoa que eu conheço, nessa vida de rosa, plantada no b612).

olha, é 2014. as pessoas fazem resoluções quando o ano muda. promessas, decisões. as rosas também fazem. e a minha resolução é não pedir mais desculpas por ser quem eu sou. qual é a coerência disso? é como se eu tivesse 1,05m e você me pedisse pra pegar algo que está a 2,50m de altura e eu pedisse desculpas por não conseguir. você não pode pedir desculpas por ser anão, entende?  você nasceu assim, que culpa você tem pra precisar se des-culpar?

eu nasci uma rosa. e eu não posso deixar de sê-la. e nem pedir desculpas por isso.

analisando 2013, tenho a sensação de que passei o ano pedindo desculpas por ser quem sou. "desculpa, eu errei", "desculpa, eu não deveria ser assim", "desculpa, eu não devia ter agido assim", "desculpa, eu não devia ter pensado isso", "desculpa, eu não devia ter me sentido assim"... devia, sim! pois essas ações, pensamentos, sentimentos, são o que eu sou. eu invento, eu suponho e acredito, eu me sinto excluída, eu me sinto trocada, eu quero ser única...e eu nasci assim, inventando, supondo, sentindo, querendo. é tudo parte do pacote. parte de quem eu sou.

uma vez eu ouvi: "você é chata, mas você não tem que mudar, pq você já era assim quando eu te conheci e eu te amei mesmo assim." (então, pq você exige que eu mude, sempre, como condição pra que nossa amizade exista? pq você não aceita que eu seja como sou? pq você age como se não gostasse mais de quem eu sou?) eu não quero mais pedir desculpas por ser chata! por ser eu!

sabe, existem muitos que não me pedem (induzem?) mudanças. existem passarinhos e margaridas que aceitam a minha chatice e fazem com que eu me sinta única.

uma vez eu ouvi "quando a gente gosta de alguém, quer estar junto, faz de tudo pra ter um tempo junto". eu não vou pedir desculpas por querer estar junto de quem eu gosto. (e nem por entender que o "não fazer de tudo" implica em "não gostar")

sabe, eu sou única. eu sei que sou. e não vou pedir desculpas por querer ser tratada como tal, por exigir valor.

e não vou mais me esforçar pra mudar quem eu sou pra manter perto quem não se preocupa em ceder, em se aproximar da fronteira. quem diz "mas eu não me comporto assim pq não é importante pra mim". "pra mim". (é sempre sobre você, é sempre sobre eu pedindo desculpas por querer o que é importante pra mim e aceitando o que é importante pra você e deixando que isso paute nossa amizade. qual a coerência de você me dizer que eu tenho que fazer coisas por mim, quando é o primeiro a me impedir nisso?)

eu sou uma rosa. alguns gostam de rosas, alguns não. alguns deixam de gostar, com o tempo. nada disso muda quem eu sou. e eu não tenho que me desculpar por isso.

nós sempre teremos o b612...

rosa

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Você trabalha ou só faz teatro?


Véspera do primeiro dia de aula, dia de faxina. Achei que levaria meia hora. Depois de 2 horas e meia limpando, totalmente suja e suada, acabei. Lembrei que isso faz parte do pacote. Se você resolve alugar um espaço pra dar aulas de teatro, precisa mantê-lo limpo. E se você não tem verba pra pagar alguém pra limpar, precisa fazer você mesma. E, mesmo cansada, eu gostei de fazer justamente por fazer parte do pacote. Do pacote de "só" fazer teatro.

A coisa de "trabalhar ou só fazer teatro" virou piada. Motivo de zueira infinita. Fato: pessoas que não são de teatro não conseguem enxergar o quanto é trabalhoso fazer teatro. Surpreendentemente, a gente não sobe no palco e se diverte só. Só o trabalho mental que é decorar um texto e construir um personagem e o tempo que se investe nisso já invalidaria o "só".

Teatro, na maioria das vezes, se faz 24 horas por dia, 7 dias por semana. Primeiro, pq você nunca tá pronto. Tem sempre que estudar, que aprender, que agregar conhecimentos. Segundo, que teatro você não deixa no escritório às 18h e vai viver sua vida pessoal. (Muitas vezes você nem tem uma vida pessoal quando faz teatro.) Você sai do ensaio e ainda fica trabalhando mentalmente na peça, ou no que for.

Eu tenho certeza que minha mãe acha que eu passo horas e horas lendo ou no facebook. E ela não está errada nisso. O que ela não consegue entender é que isso é trabalho. É muito estudo, é muita pesquisa. Como eu vou escrever bem sem ler muito? E eu escrevo peças. Como eu vou construir personagens críveis sem a observação constante da humanidade? Como eu vou ser atriz sem estudar texto, sem pensar muito em possibilidades, sem ficar testando-as no meu quarto? Como eu vou dirigir sem pesquisar muito? E o pior: como ser produtora e tocar um grupo sem passar muito tempo na internet? Fazendo contatos, organizando, administrando, pesquisando, montando projetos, aprendendo, estudando dados para melhorar a página e a imagem do grupo, entendendo pessoas para lidar com elas? Como não pesquisar e estudar, sendo que eu dou aulas, que eu transmito conhecimentos?

E outra coisa, humanidade: não é pq algo é divertido que não é trabalhoso e cansativo. Dar aulas pra crianças é uma delícia! E cansa. Ensaiar é maravilhoso! E cansa. Apresentar uma peça é a representação máxima do entusiasmo, do "estar em Deus". E - surpresa - cansa. É trabalho, como todos os outros. Também enobrece/dignifica o homem, acreditem ou não.

Talvez, pras pessoas com empregos tediosos, o universo mágico do teatro pareça injustamente divertido demais. E, talvez por isso, não o considerem trabalho. E talvez não seja mesmo... Pq teatro só se faz com paixão. Teatro cansa e dá trabalho, mas o retorno, a recompensa, é infinitamente maior. É mais do que escolha, é destino. Não é trabalho, é sacro ofício. É sagrado. Como tudo que se faz por amor...

Talvez não seja trabalho, seja religião. Fé.

Talvez seja linda a sacralidade do "só" fazer teatro.

Talvez devêssemos abandonar a piada e aceitar que, sim, graças a Deus, não trabalhamos. Fazemos teatro. (Sem o "só".)