sábado, 7 de novembro de 2009

e aí o neruda me disse:




"Você deve ser a pior jornalista deste país, filha. É incapaz de ser objetiva, coloca-se no centro de tudo, e suspeito que mente bastante e quando não tem uma notícia, inventa-a. Porque não se dedica antes a escrever romances? Em literatura esses defeitos são virtudes."

(Pablo Neruda disse isso a Isabel Allende. Mas poderia ter falado pra mim... É que não tivemos a oportunidade de um encontro.)

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

micro conto patético

ele sempre dizia "eu nunca vou desistir de você".
ela ficava encantada.
ele desistiu.
fim

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

O dia em que eu revi os smurfs



Quando eu era pequenina, bem pequenina, eu tinha verdadeira adoração pelos smurfs. Era meu desenho preferido, eu tinha bonequinhos... Não preciso nem dizer que eu achava que eles existiam de verdade.
Um belo dia, minha mãe (também conhecida como Sra. Melhor Mãe do Mundo), me levou pra assistir a uma peça dos smurfs. E lá estava eu vendo aquelas criaturinhas azuis. NA MINHA FRENTE! Pertinho. Tão real, tão de verdade... E a casa do Papai Smurf girava no palco e eu podia ver dentro. Era tão, mas tão mágico!
Do alto dos meus 3/4 anos, me encantei por completo. Passei a peça toda de boca e olhos arregalados, com aquele brilho no olhar que a gente tem só quando tem até 1 metro de altura e acorda na manhã do dia 25 de dezembro e encontra a árvore de Natal LOTADA de presentes reluzentes.

Eu achei que nunca mais fosse me sentir assim, que esse encantamento fosse parte da infância e que, passando de 1 metro (não muito, aliás), a gente perdesse essa capacidade de enxergar a mágica e arregalar olhos e boca o máximo possível, incontrolavelmente.

Sábado passado eu fui assistir ao Grupo Galpão, no Parque da Independência. A peça era "Till". Um lugar aberto, milhares de pessoas, lua quase cheia, clima ameno. Eu, sentada no chão, na lateral do palco, com vista privilegiada de peça e bastidores.
E, de repente, com menos de 20 minutos de peça, aconteceu. Meus olhos foram se arregalando, a boca idem. Logo, chegou o brilho de visão natalina. Aquilo era ainda melhor do que todos os presentes que o bom velhinho poderia me dar.
Era uma perfeição de texto, interpretação, vozes, efeitos, cenário, figurino, música, maquiagem... E luz, e cor, e som e fúria.
Me senti com 3 anos.
Me senti no dia 25 de dezembro.
Me senti revendo os smurfs.
"Lala-la-la-la-la, sing a happy song..."
Encantada.
O Grupo Galpão é pura mágica.
O mediador de um vislumbre mais alto.
E, ainda bem, eu estava preparada para receber a mensagem desse vislumbre.

O encanto mágico do teatro, num sentido mais amplo, está na capacidade inexaurível de apresentar-se aos olhos do público sem revelar seu segredo pessoal. O xamã que é o porta-voz do deus, o dançarino mascarado que afasta os demônios, o ator que traz a vida à obra do poeta - todos obedecem ao mesmo comando, que é a conjuração de uma outra realidade, mais verdadeira. Converter essa conjuração em "teatro" pressupõe duas coisas: a elevação do artista acima das leis que governam a vida cotidiana, sua transformação no mediador de um vislumbre mais alto, e a presença de espectadores preparados para receber a mensagem desse vislumbre.
(Margot Berthold)

terça-feira, 3 de novembro de 2009

faz parte do meu show

- eu contei.
- e ele?
- não sei.
- como assim?
- não vi ele depois. ele não ligou.
- mas o que ele fez na hora exata em que você contou?
- eu não sei.
- você fechou o olho?
- eu escrevi numa carta.
- ah, não me diz que foi em folha de caderno.
- foi.
- com caneta bic?
- aquelas de 4 cores.
- isso é tão a sua cara.
- é.
- mas como você fez? entregou, disse "tó" e saiu correndo?
- não. ele tava dormindo. deixei do lado da cama, dei um beijo nele e saí.
- isso é tão filme da sessão da tarde.
- é.
- e o que você escreveu?
- pouca coisa. tinha uma letra de música.
- isso é tão anos 80.
- é.
- não precisa dizer que música era, mas, de quem era?
- cazuza.
- meu deus! você é tão anos 80.
- é...

domingo, 1 de novembro de 2009

brincar de twitter fake é vida!

- @fantasmadapublicitariadefunta adivinha quem voltou?
- @vacaverde nao tenho ideia!
- @caldeiraozinho Quem voltou!!?
- @esquilowithlasers WHAT THE FUCK????
- @ghostthug qqqq
- @van_do_scoobydoo não tô entendendo nada!! #comofas
- @yozombie Nem eeeeuuuu #mafiawarsdocapeta
- @default_don oi?
@capeta que minha o q? tá louco? #mafiawars
@default_don2598 pq tem tantos default dons por aqui, hein?
- @defaultDONNA OI!!!!
@ghostthug BOOOOOOOO!
- @default_traveco_donnah_butterfly OOOOOOOOOOOOOOOOIÉEEEEN!
@maodofrankensteincomfichasdepoker oyu eru digtito oyu larfgo asd fgichas der polker
- @montanharussaquebrada cuidaaaaaaaaaaadoooo to quebradaaa genteee
- @gordinha tá bom, fui eu que quebrei a @montanharussaquebrada . #prontofalei
@yozombiesemcerebro dãããããããããããar
- @zynga CHEGA!
- @esquilowithlasers moçada, o boss chegou. parou a palhaçada aí.
@capeta isso aí! parou. e, se não parar, vai todo mundo pro #inferno
@default_don oi?
@yozombiesemcerebro dãããããããããããar
(...)
- eu preciso fazer uma coisa AGORA
- OQ

fiz.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

ela queria...

Acordou com o celular tocando.
- Oi! Já tá acordada?
- Você acabou de me acordar.
Risos.
- Então, já que você tá acordada, posso ir praí?
- Achei que você viesse mais tarde.
- É. Já tô esperando um tempo pra te ligar.
- Vem.
Desligou e olhou no relógio. 10h40. Tinha dormido antes da 1h da madrugada e ainda tinha sono. A ligação, vinda de quem provavelmente tinha dormido bem mais tarde, fazia pouco sentido naquele horário.

Mais tarde, em frente ao computador, em tom de confidência, disse baixinho:
- Acho que fiz besteira ontem.
- O que você fez? - fingiu desinteresse, mas tinha medo de ouvir.
- Então, fiquei com X.
- Ah. - o desinteresse sempre era sua forma de disfarçar.
- Eu não queria.
- E pq ficou?
- Não sei... X queria...
- Sei. - ainda o disfarce.
A mãe falou algo da cozinha. Ela foi até lá. Fim da outra conversa.

Mais de um ano depois, lembrou desse dia. Da ligação na noite anterior, quando estavam separados há só meia hora, "lembrei de você". Da ligação de manhã, tão cedo, "posso ir praí?". Era tanto, era tão intenso. E já não existia mais.
Lembrou da outra conversa.
"X queria...".
Jamais entenderia o motivo da diferença.
Ela também queria...

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

quando é cômodo não saber

- minha irmã falou... tudo bem minha irmã saber?
- ah, vc contou? tudo bem...
- não contei, não.
- ai, ela percebeu, é?
- é.
- bom, tudo bem. sua irmã é bacana. mas como ela percebeu?
- sabe aquele dia que a gente tava no ônibus?
- sei.
- então... ela viu pelo jeito que você falava. sua voz, seu jeito. e vc mexia no cabelo.
- mexia, é?
- é. e ele ligou várias vezes num espaço de tempo bem curto.
- é.
- e, depois, quando a gente tava indo embora, que tinham várias ligações não atendidas dele e aí vc ligou correndo...
- saquei. não era normal, né?
- não. quer dizer, era... mas...
- não entre amigos. sei.
- aí ela desconfiou... e começou a reparar mais, qdo via vocês. teve aquele dia, logo depois. aí ela teve certeza.
- ah, sei. pq eu tava fazendo aquelas coisas todas e... enfim..
- é.
- mas era uma ocasião atípica.
- hmm... mais ou menos.
- é, não era. mas tudo bem ela saber.
- bom.
- afinal... quem não sabe, né?
- ele?
- na boa? ele sabe.
- (silêncio)
- é que é mais cômodo não saber.
- é.

*conversa perdida no tempo*