quarta-feira, 6 de outubro de 2010

O piano e a poesia

No palco, um divã e um piano.

O divã, de um vermelho-vinho. Refinado, mas com algo de antigo. Bom e caro.

O piano, preto e luminoso. Grande, erudito e moderno. Bom e caro, também.

No divã, ela. Vestido longo. Verde, como seus olhos. Caro, também. Ela, deitada de bruços, com as pernas pro ar, balançando os pequeninos pés. Com os olhos brilhando, lê um livro de poesias. De vez em quando, levanta a cabeça e o vê. Sorri, nesse momento. E volta a ler.

No piano, ele. Não está sentado no banco, está sentado em cima do piano mesmo. De terno. Com olhar distante, acompanha a leitura dela. Quando ela o encara e sorri, retribui. E logo volta ao seu estado contemplativo.

De repente, ele diz:

- Nem todos os livros que li,

Nem toda a poesia

Me trouxeram o amor

Que aquele piano trazia...

Ela ouve. Sorri. E volta ao seu livro, às suas poesias.

Ele volta a contemplar o mundo.

E o pianista... Bom, ele nunca havia parado de tocar. Era sua função ali. Estava no piano só pra isso. Para dar a trilha sonora que aqueles dois sonharam.

3 comentários:

S'Antonho Gago disse...

LINDO TALLY!

Blower's Daughter disse...

Que lindoooooooooooooo! Ameeeeei!!!!^^

Rufus disse...

Sonhe mais sonhos assim, e lembre pra me contar. :)