quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

a velhinha maluquete


quando eu era bem pequena, lá com meus 5 anos, já era uma leitora compulsiva. meu pai trabalhava em uma escola pública, professor de matemática. resolveu ajudar a biblioteca da escola a cadastrar uma caixa gigante de livros novos que chegaram. todos infantis. e, então, ele chegou com essa caixa em casa. uns 200 livros. era como estar no paraíso pra mim. 200 livros infantis! dá pra imaginar? e ele disse "vc pode ler quantos vc conseguir ler até eu devolver pra escola". e eu ia deixar de ler algum? impossível. li todos. um deles era "a velhinha maluquete". esse eu li. e reli. e reli. e reli. quando chegou a hora de devolver, meu pai, com pena, disse "fica com esse que vc leu milhões de vezes pra vc".

quando minha irmã era bem pequena, com seus 2-3-4 anos, eu sempre contava histórias pra ela. interpretava mesmo. fazia vozes. era minha diversão maior, era a diversão maior dela. e esse acabou se tornando, tb, o livro preferido dela.

com mudanças (de casa, cidade, tudo), acabamos perdendo o livro. mas não a paixão por ele. tanto que, quando ela tinha lá seus 13-14 anos (eu sou oito anos mais velha), fizemos esse "código" entre nós: sempre falávamos uma pra outra a frase clássica do livro, "poder, pode; mas tem que se comportar".

quando eu falei pela última vez com minha irmã ao telefone, ela disse que me amava. não era o normal, de sempre. isso me desconcertou um pouco e eu acabei esquecendo de dizer "poder, pode; mas tem que se comportar". foi a última vez pq, algumas horas depois, por uma bobeira (talvez predestinada) ela foi embora desse mundinho aqui. foi pra um outro. pra um melhor, com certeza. tinha só 15 anos. eu, 23. e uma culpa imensa por não ter falado pra ela "poder, pode; mas tem que se comportar".

não tive dúvidas: tatuei. gravei na carne, no sangue, no coração, na alma a frase que, pra maioria das pessoas não tem significado algum, mas que, pra mim, significa todo meu amor eterno pela minha pequenina: "poder, pode; mas tem que se comportar".

Um comentário:

Freier Geist disse...

Tally, essa sua doçura é cativante...
o que importa é ter sentido pra vc!!
Beijokas, lindona!!
^^