segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Essas criaturas fantásticas que eu sou

O cara me manda um email pedindo resenhas de filmes.
Ok.
Aí coloca 2 mil regrinhas bobas.
Já não gosto. Não gosto de regras que limitam o ato de escrever.
Mas aceito.
E, então, ele me pede um texto de apresentação.
Escrevo.
Ele me diz que não quer romantismo, que não tem a ver com o que ele quer.
Eu digo que se meu estilo não tem a ver com o site, melhor deixar pra lá.
E fico sem entender como se escreve sem se envolver.

Só pra constar: achei o blog bem chatinho.... Enfim...

Esse era o texto de apresentação:

A proposta era falar um pouco sobre quem eu sou. Eu poderia dizer tanta coisa sobre mim... Poderia dizer que sou jornalista por formação, redatora por profissão, escritora por vocação e estudante de teatro. E, no fundo, isso não diz muita coisa sobre quem eu sou. Poderia dizer que eu sou taurina, que eu sou a irmã mais velha, que eu sou teimosa... Nenhuma dessas possíveis descrições mostra exatamente quem eu sou. Já que é pra falar de cinema, eu poderia dizer que minha primeira lembrança cinematográfica é de ET – O Extraterrestre ou que o filme da minha vida é Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças. Também não me descreve ainda. O que me descreve? Talvez algumas personagens fantásticas...

Eu sou um pouco a menina Dorothy Gale, perdida em uma terra estranha (Oz, ou não) e buscando encontrar um caminho pra casa. Percorrendo a estrada de tijolos amarelos da minha vida, com uma fé tremenda em um suposto mágico que teria todas as soluções pros meus problemas. A menina que fugiu do tornado na pequena fazenda do Kansas e nem percebeu que o tornado estava ali, dentro dela. No coração, na cabeça e na coragem (e ela, ao contrário dos companheiros de jornada, tinha muito dos três).

Eu sou um pouco Scarlet O´Hara, lutando pelo meu espaço e por minhas crenças e passando por cima de tudo nessa luta. Tentando preservar o patrimônio da minha família, errando, sofrendo e jurando, com Deus por testemunha, que nunca mais passarei fome de novo.

Eu sou um pouco Mary Poppins, com a ideia de uma missão de levar mais fantasia a crianças. Ela era babá, eu escrevo histórias infantis, mas, no fim, acho que temos a mesma vontade de espalhar magia e encanto, de fazer o mundo infantil mais feliz e animado, mais.... supercalifragilisticexpialidoce!

Eu sou um pouco Gracie Hart (a Miss Simpatia, pra quem não lembra), atrapalhada, tendo que me dividir entre o lado que acha que as mulheres mandam e defende certas causas e o meu lado mulherzinha, que adora livro de miss (sim, O Pequeno Príncipe) e só deseja a paz mundial.

Eu sou um pouco Margot Channing, acreditando na bondade das pessoas (e, conseqüentemente, me dando mal por causa de meia dúzia de Eves que aparecem por aí) e descobrindo que o teatro é meu lugar preferido, meu cantinho sagrado.

E eu sou muito (mas muito mesmo) Clementine Kruczynski (a fabulosa Kate Winslet de cabelos coloridos do filme da minha vida). Todo mundo que me conhece sabe: sou impulsiva. Eu faço. Falo. Brigo. Confesso. Depois de tudo, paro e penso. Sou aquela overdose de cor e som e luz e fúria.

Juntando todas em uma única pessoa, que vive em um roteiro de Almodóvar, dirigido por Woody Allen... Bom, essa sou eu!

3 comentários:

Kimangola disse...

...poderíamos erigir uma sociedade com todos essses Eus...


xaxuaxo

Expedito Paz disse...

Gostei demais do texto, Tally:) Nada como ser, às vezes até ao mesmo tempo, Clementine, Margo, Gracie, Dorothy e tantas outras.

Beijo, te cuida.

Karina disse...

Deliciosas essas suas "personalidades"!
E seu texto foi um dos mais lindos e sinceros dotipo que já li Parabéns!!

Beijokas!
Saudades!!

Ka.
^^