quinta-feira, 9 de agosto de 2012

o fim do relatório da última aula...


Foi uma aula maravilhosa, mas foi mesmo a última. Não por eles; eu só ameaçava, mas jamais os abandonaria. Foi a última justamente por eu não suportar mais estar em um lugar onde crianças como aquelas - incríveis, espertas, inteligentes, dedicadas, criativas, carinhosas e com uma vontade enorme de evoluir - eram maltratadas, humilhadas e até agredidas. Um lugar que poderia ser um projeto lindo, mas que foi corrompido e usado como auto-promoção e uma forma de obter dinheiro fácil. E, por acreditar na teoria, mas abominar a prática daquele lugar, eu optei por sair...

Saí levando uma grande saudade das crianças, mas também a certeza de duas coisas muito importantes. Primeiro, de que eu fui capaz de melhorar um pouco a vida deles, de ensinar alguns conceitos fundamentais, de mostrar que eles podem ir além. Não os transformei em atores - como questionavam -, mas em pessoas melhores - que sempre foi meu objetivo. E a outra certeza: a de que é isso que eu quero pra minha vida, é pra isso que eu quero usar o teatro. Quero usar o que aprendi - e aprendo constantemente - no teatro, pra fazer com que as crianças tornem-se adultos melhores. Pra que elas acreditem que podem ser mais e que o mundo pode ser bonito. Acreditar é o primeiro passo. Se a gente acredita, assim é, assim se torna. Como no teatro, em que a gente tem que acreditar pra ser bem-feito. Fé cênica, não é? E fé na vida, fé no futuro... Fé, simplesmente.

Um comentário:

O Hipócrita disse...

Por mais que tenha sido uma triste despedida, ao que parece, seu trabalho lá foi um gesto lindo, não só de educar mas também de formar caráter.