Em uma ilha
perto de Creta vivia Fátima e seu pai um grande fiandeiro que trabalhava para o rei da
Grécia. Eles eram muito felizes e tinham um padrão de vida muito bom .
Um dia o pai de Fátima recebeu um chamado do rei para irem até Creta a fim de executarem
alguns serviços para ele. Então o grande fiandeiro disse "Fátima nosso patrão nos
aguarda em Creta preparasse para viajarmos e encontra-lo".
O barco então parte da ilha e os dois vão de encontro ao rei. Mas o mar é traiçoeiro e
uma grande tempestade atinge a embarcação e Fátima fica naufraga indo parar em
Alexandria e seu pai vem a falecer.
Fátima então pensa "O que farei agora meu pai esta morto e eu naufraga aqui nesta
terra desconhecida".
Mas a sorte sorri para Fátima e ela é encontrada por um casal de tecelões que a adotam
como filha. Então podemos dizer que Fátima mas uma vez encontra a felicidade, agora
aprendendo o ofício de tecelã e com seus novos pais.
Fátima, então recebe mas uma virada em sua vida. Ela passeava alegremente quando
bárbaros , invadem sua aldeia e a seqüestram-na vindo ela a ser levada para o mercado de
escravos em Istambul.
O mercado de escravos era um lugar sujo mas com muitas tendas e pessoas. Havia então um
grande e próspero serralheiro que construía mastro para navios e viu Fátima sendo
vendida como escrava e sentiu grande pena dela.
E pensou "Essa menina não me parece uma escrava; vou comprá-la e faze-la de criada
para minha esposa". E assim o fez.
Mas chegando na ilha de Java onde morava o serralheiro descobriu que estava falido , pois
um grande carregamento de seus mastros havia sido roubado. E então Fátima , o
serralheiro e sua mullher começaram a trabalhar sozinhos para reconstruir sua fortuna;
pois o serralheiro não tinha mais dinheiro e seus antigos empregados o abandonaram.
Fátima trabalhou com tanta vontade que seu patrão lhe devolveu a liberdade e ela se
tornou seu braço direito. O serralheiro conseguiu se reerguer e Fátima estava de novo
feliz e realizada.
Um dia o patrão pediu a Fátima "Você é meu braço direito leve um carregamento de
nossos mastros até a Índia e negocie-os pelos melhores preços pois confio em
você".
E ela carregou o navio e partiu para seu destino.
Mas o traiçoeiro mar mas uma vez usou seus poderes e numa enorme tempestade o navio
naufragou
vindo Fátima vir parar na China.
Mas uma vez sem nada Fátima pensou: "Porque só comigo toda vez que estou feliz vem
algo e destrói minha felicidade. " Mas sem desistir continua andando até chegar
numa aldeia chinesa.
Mas acontece que na China havia uma profecia que chegaria uma mulher estrangeira que
construiria uma grande tenda para o imperador.
Chegando a aldeia uma aldeã diz para Fátima marcar uma audiência com o imperador e
assim ela o faz.
Chegando o dia o imperador pergunta:"você pode me construir uma tenda."
E Fátima diz que podia. E então começa a tarefa.
Mas para construir a tenda ela precisava de uma corda hiper-resistente, mas não havia
este tipo de corda na China. E então relembrando o tempo que vivia com seu pai , o grande
fiandeiro ela recolhe o material necessário e ela mesma fia a corda.
Para se construir a tenda ela precisava de um tecido muito resistente.Mas naquela época
não existia tal tecido na China. Então relembrando o tempo que viveu com o casal de
artesões recolheu o material necessário e ela mesma teceu o tecido de grande
resistência.
A tenda precisaria de mastros para poder ser levantada. Mas nesse tempo não existiam
mastros resistentes na China. Ela relembrou que sabia fazer tal mastros pois havia
trabalhado com um grande serralheiro; e assim ela mesma os construiu.
Mas qual o formato da tenda. E então ela relembrou do formato das grandes tendas do
mercado de escravos e assim ela por fim ergueu uma grande e imponente tenda para o
imperador .
O imperador muito agradecido por ela ter cumprido a profecia perguntou-lhe o que queria; e
esta respondeu que apenas queria viver na China.
Então ela encontrou um grande príncipe e casou-se com ele vindo então a encontrar a sua
verdadeira e douradora felicidade.
Fátima então entendeu que todos os sofrimentos de sua vida lhe serviram para ela
aprender e enfim levantar a grande tenda que era sua verdadeira felicidade.
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segunda-feira, 22 de junho de 2015
quinta-feira, 5 de dezembro de 2013
você (não) pode errar!
aí eu ia subindo a rua e elas desciam. uma mulher de uns 40 anos e uma menina de uns 7. mãe e filha? e a menina tropeçou. do nada. dobrou a perna e quase caiu. teria caído, se a mulher não a tivesse puxado pelo braço. uma coisa simples, um tropeço. quantas tropeçadas - literal e figurativamente - não damos na vida? e a mulher/mãe a segurou, impediu a queda, como era de se esperar. e eu nunca mais teria lembrado dessa cena. mas eu vou lembrar; mas eu precisei registrar. pelo que a mulher/mãe disse, logo depois de levantar a menina: "não faz isso, que coisa feia! fica tropeçando por aí... você não pode tropeçar!".
mas, gente, como assim não pode tropeçar? tropeços acontecem. inclusive os literais. eles independem da nossa vontade. ninguém é besta/masoquista de se jogar/cair/machucar intencionalmente, ainda mais aos 7 anos de idade. (ok, algumas pessoas crescem e se tornam bestas/masoquistas e gostam de se machucar, mas não tem a ver com o que eu estou falando). é o chão que é irregular, é o sapato que é desconfortável, é uma distração, é intervenção divina.... é qualquer coisa, menos vontade.
mas tropeçar é feio. tropeçar significa que algo deu errado no seu processo de colocar um pé na frente do outro e caminhar lindamente. significa que você falhou no processo de andar e deixou de praticamente deslizar como uma sílfide. tropeçar significa que você errou. e você não pode errar! você não pode tropeçar, você não pode ir mal na prova, você não pode esquecer nada, você não pode quebrar nada, você não pode brigar com o coleguinha, você não pode ficar de recuperação, você não pode não ser a melhor da turma, você não pode não ser a mais bonita e perfeita, você não pode escolher caminhos errados na vida. na infância e por todo o sempre.
a mulher/mãe era má? errada? não... como a minha mãe não é e nunca foi (na verdade, é a melhor do mundo), mas já me disse que eu não podia ter tirado só 6 naquela prova, que eu não podia não ter passado no vestibular (e agora? o que eu ia fazer da minha vida?), que eu não podia ir com aquela roupa simples numa festa e acabar sendo a menos bonita ali. como certamente, mesmo eu não lembrando, ela deve, em algum momento, ter falado que eu não podia tropeçar. mesmo sabendo que ela deve ter tropeçado muito na vida e, também, ouvido muitas vezes da mãe dela (minha vó linda!) que "a dedei não podia tropeçar". é assim. todos nós, eternamente condicionados a acreditar que não podemos tropeçar e que devemos ensinar isso às próximas gerações. não tropecem! não errem! é feio!
só que, se a gente não tropeça, a gente não aprende que ali, naquele lugarzinho, o chão é irregular. a gente não aprende que aquele sapato é uma porcaria e não devemos nunca mais usar ele. a gente não aprende que um 6 em matemática não significa absolutamente nada quando a gente já sabe as operações básicas e é só isso que a gente vai usar pro resto da vida, sendo que escolheu trabalhar em humanas. a gente não aprende que não passar no vestibular não é o fim do mundo (e que passar até pode ser, viu? rs) e que a gente tem o direito de mudar de opiniões e de caminhos. a gente não aprende que dói mais na gente do que no coleguinha brigar com ele (pq a gente sente muita falta...). a gente não aprende que, por mais que a gente se esforce, sempre vai ter alguém melhor que a gente na turma, simplesmente por ser assim, e não pq a gente é ruim. e a gente não aprende que beleza e perfeição são conceitos absurdamente relativos. e que errar é normal. errar é parte do processo. errar é necessário...
durante muito tempo eu tive medo de errar. ainda tenho um pouco. a ponto de deixar de fazer coisas por temer fazer errado. e minha solidariedade com a menininha tropeçando talvez tenha vindo disso. do receio de que ela acredite - como eu acreditei - que errar é errado. e não se permita errar e, com isso, atrapalhe seu próprio processo de crescimento e evolução. e perca chances.
eu escrevo, agora, por não ter tido a coragem/discernimento de dizer pra ela o que eu gostaria de dizer: "você pode tropeçar, sim!".
eu escrevo, agora, como uma forma de dizer pra mim mesma o que eu deveria dizer todo santo dia: "você pode errar, sim!".
afinal, como disse cazuza, "existe o certo, o errado e todo o resto". e errar não é errado, como também não é certo. errar é todo o resto.
sexta-feira, 9 de agosto de 2013
Eu li num livro 33
Livro: O Santo Inquérito
Autor: Dias Gomes
Doses de sabedoria:
* Acho que as boas ações só valem quando não são calculadas. E Deus não deve levar em conta aqueles que praticam o bem só com a intenção de agradar-lhe.
* Não foi querendo agradar a Deus que eu me atirei ao rio para salvá-lo. Foi porque isso me deixaria satisfeita comigo mesma. Porque era um gesto de amor ao meu semelhante. E é no amor que a gente se encontra com Deus. No amor, no prazer e na alegria de viver.
* Não... realmente, não aconteceu nada. Não sei explicar. Mas de um momento para outro, eu me senti tão só, tão desamparada. Só me aconteceu isso uma vez, quando eu era menina e alguém me disse que a Terra se movia no espaço. Não sei que sábio havia descoberto. Até então, a Terra me parecia tão sólida, tão firme... de repente, comecei a pensar em mim mesma, uma pobre criança, montada num planeta louco, que corria pelo céu girando em volta de si mesmo, como um pião. E tive medo, pela primeira vez na vida. Uma sensação de insegurança me fez passar noites sem dormir, imaginando que durante o sono podia rolar no espaço, como uma estrela cadente.
* Há um mínimo de dignidade que o homem não pode negociar, nem mesmo em troca de liberdade. Nem mesmo em troca do sol.
terça-feira, 30 de julho de 2013
O que te prende?
- O que te prende?
- Essa jaula.
Ótimo. Com muita ironia. Não tenho como fugir, agora. Vou ter que participar. Se bem que não estou assim tão incomodada por participar. Elas são simpáticas. E tenho que focar no objetivo que é maior que isso. Tenho que passar por isso pra ver alguém que é muito importante pra mim em cena. É isso. Tudo bem. É uma pergunta besta também. É fácil. O que me prende. O que me prende? Pra ela foi fácil responder... Estando dentro da jaula, lógico que ela pode escolher dizer que a jaula a prende. Moleza. E eu, aqui fora? O que me prende?
- O que te prende?
- As obrigações.
Já foi todo mundo de dentro, sério? O cara da frente respondeu, então... Só mais dois e vai ser a hora da turma aqui do fundo... Bom, o que eu vou responder? O que me prende? O medo, né? É o medo que prende todo mundo. Essa é a resposta que todo mundo deveria dar. Obrigações, veja bem... Você fica preso às obrigações por medo do que pode acontecer se não cumpri-las. Logo... Bingo! Medo de novo. O que prende é o medo. O que prende todo mundo é o medo. Essa é a resposta certa.
- O que te prende?
- A sociedade.
A sociedade... ai, minha gente, por favor! A sociedade só te prende se você permite que a sociedade te prenda. Se você se submete a agir como cordeirinho, seguindo padrões e se importando com o que a sociedade pensa de você. E outra coisa: se você deixa a sociedade te prender é por medo do que pode acontecer se você for contra a sociedade. Logo... Medo! Tá vendo? Tudo se resume a medo. Minha resposta é a melhor, uhu. Tá, não vou falar que é a certa, não vou ser maniqueísta, né? Nenhuma é errada, todas são válidas. Mas a minha é melhor. Engloba todas.
- O que te prende?
- Meu marido.
Ah, que trouxa! Sério? Tudo bem que ela deu umas risadinhas, querendo que pensem que é brincadeira, que ela é uma grande piadista. Mas ela teve tempo pra pensar e falou isso? É verdade, então. Ela se sente presa pelo marido. A risadinha foi pra disfarçar a vergonha de passar por isso. E eu me pergunto o que leva alguém a manter um casamento se sentindo presa. E isso também cai no medo. Ou ela tem medo do marido ou tem medo de ficar sozinha. Ou os dois, sei lá. Vou apenas arrasar nessa resposta!
- O que te prende?
- O medo.
O que??? Não acredito!! Esse desgraçado tinha que falar minha resposta? Ai, que droga. Mas vá lá... Ainda acredito que é a melhor resposta. A mais precisa. E falta pouco pra chegar minha vez, nem vou conseguir pensar em outra resposta. Bom, vou falar medo também. Fazer o que? Não vou conseguir ser original, mas tudo bem...
- O que te prende?
- Minhas crenças.
Oi? Mas, gente... Crenças deveriam ser libertação, e não prisão. Você está fazendo isso errado, moço. Como a pessoa permite que as próprias crenças a prendam? Muito estranho...Pera! A mulher tá olhando pra mim. Tá apontando a câmera pra mim. Minha vez. Chegou minha vez. Tudo bem, mais gente repetiu respostas. Vou repetir o medo. Só o que importa é que eu seja sincera. E eu vou ser sincera. Juro que vou.
- O que te prende?
- Meu corpo.
O que? O que eu disse? Droga! Eu errei! Era pra eu falar outra coisa! Como eu disse isso? Como? Como?
Eu fui sincera.
(48 horas de reflexão sobre a resposta)
My body is a cage
That keeps me from dancing with the one I love
Set my spirit free
Set my body free
quarta-feira, 5 de junho de 2013
Aquele que diz sim e aquele que diz não
"E quanto ao antigo grande costume, não vejo nele o menor sentido. Preciso é de um novo grande costume, que devemos introduzir imediatamente: o costume de refletir novamente diante de cada nova situação."
(Brecht)
quarta-feira, 1 de maio de 2013
Eu li num livro 29
Livro: Carmen Miranda
Autor: Luiz Henrique Saia
Doses de sabedoria (e de muito amor):
* Ela possuía o impressionante poder de fascinar. Dizem que não tinha voz, que era até desafinada, mas que, mesmo assim, era gostoso ouvi-la cantar. Certa vez,alguém que escutava uma gravação sua comentou: "Que interessante! A gente não está ouvindo, está vendo. Parece que a cantora está dentro da vitrola!".
* Havia restrições quanto à voz de Carmen, fato que pouco importava por ser ótima intérprete. Clownesca, maliciosa, picante e contagiante, ela sabia dar seu recado com humor e muita bossa. (...) É verdade, sua voz não era lá maravilhosa, até ardida, diriam uns.
* Vestindo suas baianas e usando seus trejeitos extravagantes, Carmen atendeu às necessidades que tem o povo norte-americano de consumir o exótico.
* "Só uma cantora está no nível de Carmen Miranda: Elis Regina. As duas partilham uma vivacidade, verve, uma intensidade que me parecem entorpecidas sob baianismos e outras forças estranhas." (Paulo Francis)
* "Ela tinha muita presença, muita personalidade, apesar de desafinar." (Joubert de Carvalho)
* Carmen retornou várias vezes à Argentina e, em 1935, tem conhecimento de uma jovem atriz chamada Eva Duarte que, apaixonada pelas suas apresentações, ia todas as noites em seu camarim fazer eloquências e até descobriu o endereço do apartamento de Carmen, que muitas vezes ficava irritadíssima com tal presença constrangedora. A futura Eva Peron era tão fanática que tornava-se inconveniente.
* Sonja Henie (patinadora alemã importada por Hollywood) usa uma roupa de baiana que ganhou de presente de Carmen em uma festa a fantasia em um navio e turistas a aplaudem histericamente, gritando "Carmen", "Samba". Ela ganha o 1º prêmio no concurso de fantasias e o empresário americano Lee Schubert (amante de Sonja) contrata Carmen e a leva pros EUA.
* "Não estou entendendo nada. Como é que esses gringos gostam de uma coisa que não entendem? (Carmen, após seu 1º show na Broadway)
* Os diretores sempre a deixavam atuar como achasse necessário. Carmen não queria (e nem precisava) que ninguém a dirigisse.
* Oito meses após sua chegada, uma pesquisa realizada em Nova Iorque apontava-a como a terceira personalidade mais popular da cidade, fazendo frente até ao famoso prefeito Fiorello La Guardia. Em 1946, no apogeu da carreira, considerando todas suas atividades, foi a mulher mais bem paga nos EUA.
* No cinema, era sempre a coadjuvante que roubava a cena (teve até uma cena inteira cortada de "Scared Stiff", por ordem de Jerry Lewis, por causa disso).
* Lojas da 5ª Avenida começaram a vender trajes inspirados em seu visual: saias rodadas multicoloridas, balangandãs nos braços e pescoço, turbantes enormes enfeitados com frutas e flores, tamancos de saltos altíssimos, brilho fulgurante de lantejoulas e lamês e as unhas e os lábios vermelho-escarlate.
* "Aqueles decotezinhos... aquele busto aparecendo... a boca e tudo o mais... o pessoal dizia: 'Ih! Mas é real mesmo?'. Porque lá todo mundo é despeitado, né?! O sucesso que fez foi uma coisa impressionante porque eles perguntavam se era real ou postiço." (Aurora Miranda)
* "Posso ainda acrescentar que é muito maior do que se pensa e se tem escrito a influência de Carmen na moda feminina norte-americana." (Mme. Rosita)
* "Como mulher era comportada, séria. Tinha lá seus amores, mas nunca deu margens a disse-me-disse, porque era franca, dava respostas na cara de quem merecia. Daí, ser muito respeitada por todos. Nunca ouvi sequer um comentário a seu respeito, não tinha o comportamento escandaloso de outros artistas da época." (Braguinha)
* "Almirante, eu sou realmente brasileira. Apenas nasci em Portugal." (Carmen)
* Na lápide de sua sepultura foi escrito: "Taí, eu fiz tudo para o Brasil gostar de mim".
quarta-feira, 16 de janeiro de 2013
Eu vejo flores em você...
Eu espero que, como boa irmã mais velha, eu tenha ensinado algo pra Bruna. Eu sei que aprendemos muitas coisas juntas - dessas, a mais divertida, foi dançar Thriller. E eu sei, tb, que eu aprendi muito com ela.
Uma das coisas mais legais que eu aprendi com ela, tem a ver com flores. Eu sempre achei flores um troço inútil. Pra que dar flores, ganhar flores, etc? Flores murcham e vc tem que jogar no lixo. Só que, com a Bru, eu aprendi que as coisas não precisam durar pra sempre pra serem especiais. Eu aprendi que as flores são legais, pq são lindas, independente do tempo em que elas serão lindas. E aprendi que não importa se elas vão murchar, pq você sempre pode tirá-las do vaso, plantar em algum lugar e vê-las renascendo e crescendo. Como a força e a esperança das pessoas. Sempre renascendo e crescendo.
E hoje, eu até compro flores, sem pensar em momento algum o quanto elas vão durar.
Thanks por mais essa lição, little flower!
quinta-feira, 1 de novembro de 2012
Expor
"Do ponto de vista da experiência, o importante não é nem a "posição" (nossa maneira de pormos), nem a “oposição” (nossa maneira de opormos), nem a “imposição” (nossa maneira de impormos), nem a “proposição” (nossa maneira de propormos), mas a “exposição”, nossa maneira de “expormos”, com tudo o que isso tem de vulnerabilidade e de risco. Por isso é incapaz de experiência aquele que se põe, ou se opõe, ou se impõe, ou se propõe, mas não se “expõe”. É incapaz de experiência aquele a quem nada lhe passa, a quem nada lhe acontece, a quem nada lhe sucede, a quem nada o toca, nada lhe chega, nada o afeta, a quem nada o ameaça, a quem nada ocorre."
(Notas sobre a experiência e o saber de experiência - Jorge Larrosa Bondía)
(dica de um munch muito amado...)
sábado, 20 de outubro de 2012
Eu li num livro 22
Livro: Precisamos falar sobre o Kevin
Autor: Lionel Shriver
Doses de sabedoria:
* "Que sorte temos quando somos poupados daquilo que achamos que queremos."
* "Eu sei, Fanhoso era só um bichinho de estimação, um bichinho caro, e algum tipo de final infeliz seria inevitável. Eu devia ter pensado nisso antes de lhe dar o presente, se bem que é óbvio que evitar relacionamentos por medo da perda é evitar a vida."
* "As pessoas parecem capazes de se acostumar com qualquer coisa e a distância é muito curta entre adaptação e apego."
* "Nada é interessante, se você não estiver interessado."
domingo, 19 de agosto de 2012
a sabedoria do domingo
- O ensaio equivale a uma missa.
- O processo de criação é agônico. Se não te causa agonia, alguma coisa está errada.
- Stanislavski não é a favor disso.
- Stanislavski tem sorte da gente ser a favor dele.
(pq os domingos do semestre passado foram surpreendentemente maravilhosos e me fizeram ser uma pessoa melhor... e superar preconceitos idiotas.)
quinta-feira, 9 de agosto de 2012
o fim do relatório da última aula...
Foi uma aula maravilhosa, mas foi mesmo a última. Não por eles; eu só ameaçava, mas jamais os abandonaria. Foi a última justamente por eu não suportar mais estar em um lugar onde crianças como aquelas - incríveis, espertas, inteligentes, dedicadas, criativas, carinhosas e com uma vontade enorme de evoluir - eram maltratadas, humilhadas e até agredidas. Um lugar que poderia ser um projeto lindo, mas que foi corrompido e usado como auto-promoção e uma forma de obter dinheiro fácil. E, por acreditar na teoria, mas abominar a prática daquele lugar, eu optei por sair...
Saí levando uma grande saudade das crianças, mas também a certeza de duas coisas muito importantes. Primeiro, de que eu fui capaz de melhorar um pouco a vida deles, de ensinar alguns conceitos fundamentais, de mostrar que eles podem ir além. Não os transformei em atores - como questionavam -, mas em pessoas melhores - que sempre foi meu objetivo. E a outra certeza: a de que é isso que eu quero pra minha vida, é pra isso que eu quero usar o teatro. Quero usar o que aprendi - e aprendo constantemente - no teatro, pra fazer com que as crianças tornem-se adultos melhores. Pra que elas acreditem que podem ser mais e que o mundo pode ser bonito. Acreditar é o primeiro passo. Se a gente acredita, assim é, assim se torna. Como no teatro, em que a gente tem que acreditar pra ser bem-feito. Fé cênica, não é? E fé na vida, fé no futuro... Fé, simplesmente.
sexta-feira, 2 de março de 2012
Luís Alberto de Abreu, seulyndo!
AUTO DA PAIXÃO E DA ALEGRIA
* Mas antes de começar este prólogo quero dizer, em primeiro lugar, que sou acrófabo e que isso não é nenhum desvio sexual, mas apenas quer dizer que tenho medo de alturas. Alertei o diretor do espetáculo desse meu problema e ponderei que não via a mínima necessidade de erguer nos ares, dessa forma grotesca como vocês viram, uma personagem que não vai aparecer em nenhuma outra cena. E para um prólogo tão curto! O diretor, primeiro ouviu, como todos os diretores ouvem, depois refletiu, cresceu as pupilas dos olhos e berrou: Genial! A experiência humana, o risco e o medo à vista do público! Vou ficar apavorado, eu disse em lágrimas! E o público vai rir do seu desespero, ele retrucou. Dor e riso, paixão e alegria, têm tudo a ver com o nosso auto! E falou, discursou, ponderou, argumentou e convenceu. Diretores sempre convencem! E cá estou eu segurando as tripas para que não subam à garganta e os conteúdos delas para que não desçam. Se houver vida após a morte os atores, do alto, vão olhar seus diretores socados no fundo dos infernos!
* Você tem razão: as utopias são o que são: apenas pó. Mas pó é a mesma substância de que é feito o homem.
LIMA BARRETO, AO TERCEIRO DIA
* Arte não combina com agrado e bajulação.
* Todo esforço é vão e a literatura é apenas uma forma ilusória de dar dignidade a uma vida pequena.
* A vida não é esse melodrama barato. É mais brutalidade, mais espanto e mais susto! A literatura só serve para mentir que somos melhores do que realmente somos. E que a nossa passagem por esse caos tem alguma espécie de sentido. Toda arte é uma paródia de nós mesmos.
* Se for possível, sonhem por mim
O que esses tempos nos quais vivi
Não me permitiram sonhar.
BORANDÁ: AUTO DO MIGRANTE
* Retire as metáforas da vida e a vida não melhora em nada! Fica apenas sem metáfora, sem poesia, sem riso!
* Mas saibam e fiquem atentos:
Por mais banal que seja a personagem
Qualquer vida humana é poesia
E qualquer poesia é ensinamento.
MEMÓRIA DAS COISAS
* Sonho, emoção e riso é uma grande busca e a vida é mais o que buscamos do que o que vivemos.
O LIVRO DE JÓ
* Não quero um Deus escondido
Nas estrelas.
Quero Deus comigo.
Não porque, com arrogância, exijo
Mas porque, com humildade, preciso!
* Vá. A fé não se explica com a razão
A fé não se explica
A fé é.
* Jó - Não sei qual foi meu pecado!
Baldad - Deus sabe!
Jó - Então que ele me diga!
Baldad - Quer que ele te dê satisfação do que faz?
Jó - Sim, porque o que ele faz, ele faz comigo!
* Quem tem fé não são os livros,
É o coração.
Deus vomita os mornos!
E quer paixão quando se afirma
E fervor quando se faz a negação!
UM MERLIN
* Tudo me parece desprovido de sentido. O coração ruge na garganta e eu me sinto completamente ridículo. E declaro que nunca me senti melhor na vida.
* Mas antes de começar este prólogo quero dizer, em primeiro lugar, que sou acrófabo e que isso não é nenhum desvio sexual, mas apenas quer dizer que tenho medo de alturas. Alertei o diretor do espetáculo desse meu problema e ponderei que não via a mínima necessidade de erguer nos ares, dessa forma grotesca como vocês viram, uma personagem que não vai aparecer em nenhuma outra cena. E para um prólogo tão curto! O diretor, primeiro ouviu, como todos os diretores ouvem, depois refletiu, cresceu as pupilas dos olhos e berrou: Genial! A experiência humana, o risco e o medo à vista do público! Vou ficar apavorado, eu disse em lágrimas! E o público vai rir do seu desespero, ele retrucou. Dor e riso, paixão e alegria, têm tudo a ver com o nosso auto! E falou, discursou, ponderou, argumentou e convenceu. Diretores sempre convencem! E cá estou eu segurando as tripas para que não subam à garganta e os conteúdos delas para que não desçam. Se houver vida após a morte os atores, do alto, vão olhar seus diretores socados no fundo dos infernos!
* Você tem razão: as utopias são o que são: apenas pó. Mas pó é a mesma substância de que é feito o homem.
LIMA BARRETO, AO TERCEIRO DIA
* Arte não combina com agrado e bajulação.
* Todo esforço é vão e a literatura é apenas uma forma ilusória de dar dignidade a uma vida pequena.
* A vida não é esse melodrama barato. É mais brutalidade, mais espanto e mais susto! A literatura só serve para mentir que somos melhores do que realmente somos. E que a nossa passagem por esse caos tem alguma espécie de sentido. Toda arte é uma paródia de nós mesmos.
* Se for possível, sonhem por mim
O que esses tempos nos quais vivi
Não me permitiram sonhar.
BORANDÁ: AUTO DO MIGRANTE
* Retire as metáforas da vida e a vida não melhora em nada! Fica apenas sem metáfora, sem poesia, sem riso!
* Mas saibam e fiquem atentos:
Por mais banal que seja a personagem
Qualquer vida humana é poesia
E qualquer poesia é ensinamento.
MEMÓRIA DAS COISAS
* Sonho, emoção e riso é uma grande busca e a vida é mais o que buscamos do que o que vivemos.
O LIVRO DE JÓ
* Não quero um Deus escondido
Nas estrelas.
Quero Deus comigo.
Não porque, com arrogância, exijo
Mas porque, com humildade, preciso!
* Vá. A fé não se explica com a razão
A fé não se explica
A fé é.
* Jó - Não sei qual foi meu pecado!
Baldad - Deus sabe!
Jó - Então que ele me diga!
Baldad - Quer que ele te dê satisfação do que faz?
Jó - Sim, porque o que ele faz, ele faz comigo!
* Quem tem fé não são os livros,
É o coração.
Deus vomita os mornos!
E quer paixão quando se afirma
E fervor quando se faz a negação!
UM MERLIN
* Tudo me parece desprovido de sentido. O coração ruge na garganta e eu me sinto completamente ridículo. E declaro que nunca me senti melhor na vida.
segunda-feira, 26 de dezembro de 2011
oh, brave new world
" - Mas eu gosto das inconveniências.
- Nós não gostamos, disse o Dirigente. Preferimos fazer tudo confortavelmente.
- Mas eu não quero o conforto. Quero Deus, a poesia, o perigo real, a liberdade, a bondade, o pecado.
- De fato, disse Mustafá Mond, você reivindica o direito de ser infeliz.
- Pois bem, disse o Selvagem como um desafio, reivindico o direito de ser infeliz."
(Admirável Mundo Novo - Aldous Huxley)
- Nós não gostamos, disse o Dirigente. Preferimos fazer tudo confortavelmente.
- Mas eu não quero o conforto. Quero Deus, a poesia, o perigo real, a liberdade, a bondade, o pecado.
- De fato, disse Mustafá Mond, você reivindica o direito de ser infeliz.
- Pois bem, disse o Selvagem como um desafio, reivindico o direito de ser infeliz."
(Admirável Mundo Novo - Aldous Huxley)
terça-feira, 20 de dezembro de 2011
oh, captain...
Marinheira: era isso que ela era. Acostumada a seguir ordens e a ser orientada por um capitão, onipresente e onipotente. Acostumada a ser guiada por ele que tudo sabia, tudo via; seu modelo, o que ela sempre quis ser. Um capitão que parecia infalível, justo e bom. E que ela achava que sempre estaria ao seu lado, orientando e guiando, companheiro de jornada.
Até que o navio se descontrolou. E a primeira coisa que ela descobriu foi que ele falhava. Que ele não era sempre bom e justo. E que, talvez, ela não quisesse ser como ele.
A insatisfação não era só dela e ela sabia que poderia facilmente liderar um motim. Mas ela não queria... Por respeito - um respeito nostálgico - compartilhava a decepção com poucos e, mesmo assim, sempre desencorajando qualquer reação extrema de seus colegas. A vida no navio sempre tem que prosseguir; mesmo com um capitão em aparente surto e ratos fazendo a festa no convés...
Até que chegou a tempestade. E, precisando de apoio, ela chamou por ele. Em vão. O barulho da chuva e das ondas era enorme e ela colocou até mais força do que deveria em sua voz, pois precisava chamar sua atenção. Precisava que ele soubesse que o mundo estava desabando e que ela precisava dele, ainda. Seu guia, seu capitão. Gritou por ajuda enquanto conseguiu. Se ele a ouviu, ignorou. E, em algum momento da grande tormenta - que durou mais de um mês - ela descobriu o que mais temia: ele não estava lá. Mataria e morreria por ele; tinha, inclusive, feito altíssimas recomendações aos superiores dele. Mesmo em meio à tormenta, se preocupara em lembrar apenas dos bons tempos e da calmaria na hora de avaliá-lo. Seu sentido de obediência era forte e a honra de um capitão é sempre a prioridade de um marinheiro. Ela jamais o abandonaria. Mas ele a abandonara...
Sofreu enquanto durou a tormenta. A chuva, muitas vezes, limpou suas lágrimas. Pensou em abandonar o navio. Pensou que aquela vida no mar não era pra ela; um mundo em que o cara que te motiva e inspira se torna o cara que te faz querer desistir. Pensou muito.
E, então, a chuva cessou. O sol apareceu. Com a claridade, teve certeza de que estava sozinha na embarcação, sem condução. Dependia dela e só dela.
Segurou o leme e, no horizonte, viu um arco-íris. Bateu os calcanhares de suas botas vermelhas como rubi, olhou o mar e teve a certeza de que nascera pra isso. Não há lugar como o lar e o mar era o seu lar.
No chão, ali pertinho, uma poça de água da chuva, refletindo sua imagem. Viu-se nela e sorriu. Olhou no fundo do reflexo de seus olhos verdes, estendeu a mão direita e disse "oh, captain, my captain!". E sorriu. Riu. Gargalhou.
Era sua própria capitã. Era o fim da maldição e o início do deleite...
Até que o navio se descontrolou. E a primeira coisa que ela descobriu foi que ele falhava. Que ele não era sempre bom e justo. E que, talvez, ela não quisesse ser como ele.
A insatisfação não era só dela e ela sabia que poderia facilmente liderar um motim. Mas ela não queria... Por respeito - um respeito nostálgico - compartilhava a decepção com poucos e, mesmo assim, sempre desencorajando qualquer reação extrema de seus colegas. A vida no navio sempre tem que prosseguir; mesmo com um capitão em aparente surto e ratos fazendo a festa no convés...
Até que chegou a tempestade. E, precisando de apoio, ela chamou por ele. Em vão. O barulho da chuva e das ondas era enorme e ela colocou até mais força do que deveria em sua voz, pois precisava chamar sua atenção. Precisava que ele soubesse que o mundo estava desabando e que ela precisava dele, ainda. Seu guia, seu capitão. Gritou por ajuda enquanto conseguiu. Se ele a ouviu, ignorou. E, em algum momento da grande tormenta - que durou mais de um mês - ela descobriu o que mais temia: ele não estava lá. Mataria e morreria por ele; tinha, inclusive, feito altíssimas recomendações aos superiores dele. Mesmo em meio à tormenta, se preocupara em lembrar apenas dos bons tempos e da calmaria na hora de avaliá-lo. Seu sentido de obediência era forte e a honra de um capitão é sempre a prioridade de um marinheiro. Ela jamais o abandonaria. Mas ele a abandonara...
Sofreu enquanto durou a tormenta. A chuva, muitas vezes, limpou suas lágrimas. Pensou em abandonar o navio. Pensou que aquela vida no mar não era pra ela; um mundo em que o cara que te motiva e inspira se torna o cara que te faz querer desistir. Pensou muito.
E, então, a chuva cessou. O sol apareceu. Com a claridade, teve certeza de que estava sozinha na embarcação, sem condução. Dependia dela e só dela.
Segurou o leme e, no horizonte, viu um arco-íris. Bateu os calcanhares de suas botas vermelhas como rubi, olhou o mar e teve a certeza de que nascera pra isso. Não há lugar como o lar e o mar era o seu lar.
No chão, ali pertinho, uma poça de água da chuva, refletindo sua imagem. Viu-se nela e sorriu. Olhou no fundo do reflexo de seus olhos verdes, estendeu a mão direita e disse "oh, captain, my captain!". E sorriu. Riu. Gargalhou.
Era sua própria capitã. Era o fim da maldição e o início do deleite...
quinta-feira, 3 de novembro de 2011
O deleite e a maldição

Colocar a saia de paetê preto, a que faz barulhinho.
Lembrar da paixão à primeira vista pelo texto, de pensar "meu deus, imagina os figurinos, eu quero"; de ver a paixão crescendo durante a leitura, junto com a vontade de fazer aquilo.
Colocar a blusa branca, com ombreiras.
Lembrar da empolgação inicial, do deslumbramento, de ser a peça que eu queria, de ter pessoas que eu amava na turma; de ter, de novo, minha comunhão.
Colocar a sandália, alta e linda, única.
Lembrar da frustração de ver que aquela peça não era pra mim, pras pessoas que não cantam nada. De entender que ia ser divertido, mas ia ser o semestre em que eu ia ter menos possibilidade de me destacar.
Colocar os brincos brancos. Os colares pretos e brancos. As muitas pulseiras. O anel.
Lembrar da dedicação, da entrega, da comunhão, da amizade, do amor, da paixão. E da raiva, do ódio, do desprezo, da preocupação, do medo, da decepção, do ciúme. De tudo que acompanhou a estrada de tijolos amarelos naqueles seis meses e me levou até ali.
Colocar o turbante. A sombra verde e amarela. Caprichar no batom vermelho. Entrar no palco...
E esquecer! Esquecer de tudo e, por 1 minuto e 11 segundos, ser olhos e bocas bem abertos, ser malícia e inocência, ser mãos e quadris, ser diva... ser Carmen Miranda!
Guardar a saia de paetê preto, a que faz barulhinho. Com a lembrança de, depois de ter desacreditado por tanto tempo e fazer só por diversão, ter feito o que eu fiz de melhor até hoje, ter superado medos e vergonha, ter feito o que eu nunca soube fazer e ter dado mais do que eu sabia que poderia dar.
Guardar a blusa branca, com ombreiras. Com a lembrança dos boatos, dos melhores boatos que ouvi nesse ano, dos boatos que eu não ligo a mínima se eram reais ou não, mas me fizeram crescer.
Guardar a sandália, alta e linda, única. Com a lembrança da aprovação pro festival, de conseguir fazer a cena que eu tanto queria, da minha foto em 5000 folhetos, das sábias palavras da minha querida amiga: "dai a César o que é de César", de ver meu nome e a mesma foto em tão famoso e reconhecido jornal.
Guardar os brincos brancos. Os colares, pulseiras, anéis... Todos os balangandãs. Com a lembrança daquele palco, daquele dia, daquela correria, daquela realização, daquela sensação de estar vivendo o melhor dia da minha vida.
Guardar o batom vermelho (a sombra nem era minha). Com a lembrança da reação de todas aquelas pessoas, em todas as nove sessões. Do brilho naqueles olhos, das lágrimas, dos sorrisos, dos aplausos tão enfáticos. E a certeza da aprovação da família que tanto amo, de amigos tão especiais, dos dois diretores divinos do semestre de formatura, de desconhecidos e até do gênio que escreveu peça tão linda e apaixonante. E a felicidade de ter dividido o palco com a maioria das melhores pessoas que conheci nos últimos cinco anos.
E não guardar o turbante. Deixar ele bem perto, bem visível, pra que eu possa vê-lo todos os dias. E não esquecer que eu posso dar adeus à batucada e me jogar - de joelhos - no melodrama, e continuar sendo - em algum cantinho - um pouco e sempre Carmen Miranda. E Poetisa, e Ponciana, e Maria Rita, e Noêmia, e Lisístrata, e Juliet, e Zabé, e Lindalva, e Sílvia, e Cyndi, e Emília, e Nina, e Luciana...
O deleite e a maldição...
quarta-feira, 26 de outubro de 2011
sexta-feira, 12 de agosto de 2011
Primavera nos dentes
Precisa de tão pouco para ser primavera. Algo que simplesmente acontece. As estações do ano são assim. Chegam sem avisar, de forma inesperada, de forma confusa.
É verão e surge aquela semente de primavera no seu inverno. E você nem a percebe.
E chega o outono e aquela semente ainda está lá, aguardando o momento certo de germinar. Você acha que vai ser na primavera, mas que nada! São caprichosas essas estações, tão diferentes do que nos ensinaram na aula de Estudos Sociais.
E é inverno no mundo e surge a primavera na alma. Florida e forte, fincando raízes em você.
E quando chega a primavera de verdade, o mundo floresce, a vida floresce; tudo é flor, tudo é vida.
E chega outro verão e a primavera, oprimida, se vê obrigada a ceder espaço pro inverno... Mas por pouco tempo, pq ela é exibida. Como na música de Caetano, ela é tímida espalhafatosa. Mesmo com dificuldade, ela quer se mostrar. E, acompanhando o outono no mundo, volta a primavera na alma.
E, quando mais uma vez chega o inverno e o mundo te faz querer congelar sua alma, num inverno onipresente, você resiste. Pq, pra alguns, a primavera é eterna.
E nenhum eterno inverno - cinza e gélido - pode finalizar uma primavera.
Primaveras são para sempre.
As flores são para sempre, assim como as cores.
E eu sou cor. Sou todas elas. Sou arco-íris. Sou Clementine, somewhere over the rainbow.
E sou flor. Sou todas elas. Sou a rosa do Pequeno Príncipe (e são tão contraditórias as rosas...). Sou flor de maio.
E sou primavera. Eternamente...
terça-feira, 17 de maio de 2011
provérbio nigeriano
"Se o seu rosto está inchado pelas duras pancadas da vida, sorria e finja ser um homem gordo."
quarta-feira, 19 de janeiro de 2011
O necessário, somente o necessário
"Desta forma, o número de definições de teatro é praticamente ilimitado. Para fugir desse círculo vicioso, torna-se necessário, sem dúvida, eliminar, e não adicionar. Por isto, temos de perguntar o que é indispensável no teatro. Vejamos.
Pode o teatro existir sem figurinos e cenários? Sim, pode.
Pode o teatro existir sem música para acompanhar o enredo? Sim.
Pode o teatro existir sem efeitos de luz? Claro.
E sem texto? Sim, a história do teatro confirma isto. Na evolução da arte teatral, o texto foi um dos últimos elementos a ser acrescentado. Se colocamos algumas pessoas num palco com um cenário que elas próprias montaram, e as deixamos improvisar seus papéis como na Commedia dell'Arte, a representação poderá ser igualmente boa, mesmo que as palavras não sejam articuladas, mas apenas murmuradas.
Mas poderá existir o teatro sem atores? Não conheço nenhum exemplo disso. Pode-se mencionar o teatro de fantoches. Mesmo aqui, no entanto, o ator pode ser encontrado por trás das cenas, embora de uma outra forma.
Pode o teatro existir sem uma plateia? Pelo menos um espectador é necessário para que se faça uma representação. Assim, ficamos com o ator e o espectador. Podemos então definir o teatro como o que ocorre entre o espectador e o ator."
(Em Busca de um Teatro Pobre, Grotowski)
quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
O sonho da Poetisa

A peça era chata. Só pra ler já quase morri de tédio. Natural que não tivesse a menor vontade de fazer e natural que tenha lutado fervorosamente contra. Mas foi ela. Decidida pelo grupo. Destinada por eras. O Sonho. De Strindberg.
E, então, eu sonhei. Com aquela profusão de personagens e aquele elenco gigante, a definição do que eu seria me assustava. Ninguém, era minha única opção. Até o sonho... E eu sonhei. Sonhei que o Poeta era Poetisa. O que seria óbvio: toda a agressividade masculina não combinava com ele. O Poeta era leve, era suave, era alguém que enfrentou milênios de confrontos e ainda sorria, sem ter se rendido à força bruta, usando palavras como armas e a fé na humanidade como munição. Como na música que eu amo, o amor era sua arma mais forte.
E, então, o presente: a Poetisa. Era ela e era minha. Era eu. E, num caldeirão de criação, eu coloquei as duas, lá no fundo. As duas que são uma, que são a mesma. A eterna adolescente e a rainha do submundo. A alegria e a dor. A poesia e o pesar. O branco e o roxo. Uma saltitando, girando, com pés que se reduzem a pontas, conduzindo-a à elevação; outra, com o barro, a lama, com os pés fincados num mundo que é dela e que é belo até nos seus aspectos mais grotescos - simplesmente pq ela assim o enxerga. A menina poetisa e a poetisa menina, existente desde o sempre e renascendo a cada segundo. Coré e Perséfone.
E, no caldeirão, eu joguei bolinhas de sabão. E guizos, e tule, e purpurina, e glitter, e brocal, e marshmallow, e jujubas, e pirulito, e folhas de papel. Dei uma misturadinha e taquei angústia, inquietação, repulsa, aversão. E completei com paixão, com fé, com admiração, com encantamento. E, de lá, surgiu a Poetisa. A minha Poetisa.
E, sem querer, por puro capricho do destino, ela se olhou no pequeno espelho quadrado e viu a maquiagem borrada. E, nesse instante, sob o calor das luzes do camarim, ela se encontrou. A maquiagem borrada, a roupa se esfarrapando, os pés sujos de lama, a sujeira em cada mílimetro de seu corpo. Ela estava destruída por séculos de luta pelo que acreditava, por milênios em que vagou pela terra, querendo que a humanidade entendesse que o amor triunfa a tudo. Olheiras fundas por cada vez que os filhos dos homens julgavam que os poetas nada mais fazem do que fingir e inventar. Olhos de quem chorou por cada injustiça que viu. Mas, ainda maior, o sorriso, o deslumbramento diante do existir, o encantamento em cada banho de purpurina, a paixão pela humanidade.
O Deus criou o homem em uma roda de oleiro - ou em outra coisa qualquer - e eu criei a Poetisa no cantinho mais purpurinado do meu coração.
Sweet dreams are made of this...
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