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segunda-feira, 22 de junho de 2015

Fátima, a fiandeira

Em uma ilha perto de Creta vivia Fátima e seu pai um grande fiandeiro que trabalhava para o rei da Grécia. Eles eram muito felizes e tinham um padrão de vida muito bom .

Um dia o pai de Fátima recebeu um chamado do rei para irem até Creta a fim de executarem alguns serviços para ele. Então o grande fiandeiro disse "Fátima nosso patrão nos aguarda em Creta preparasse para viajarmos e encontra-lo".


O barco então parte da ilha e os dois vão de encontro ao rei. Mas o mar é traiçoeiro e uma grande tempestade atinge a embarcação e Fátima fica naufraga indo parar em Alexandria e seu pai vem a falecer.


Fátima então pensa "O que farei agora meu pai esta morto e eu naufraga aqui nesta terra desconhecida".


Mas a sorte sorri para Fátima e ela é encontrada por um casal de tecelões que a adotam como filha. Então podemos dizer que Fátima mas uma vez encontra a felicidade, agora aprendendo o ofício de tecelã e com seus novos pais.


Fátima, então recebe mas uma virada em sua vida. Ela passeava alegremente quando bárbaros , invadem sua aldeia e a seqüestram-na vindo ela a ser levada para o mercado de escravos em Istambul.


O mercado de escravos era um lugar sujo mas com muitas tendas e pessoas. Havia então um grande e próspero serralheiro que construía mastro para navios e viu Fátima sendo vendida como escrava e sentiu grande pena dela.


E pensou "Essa menina não me parece uma escrava; vou comprá-la e faze-la de criada para minha esposa". E assim o fez.


Mas chegando na ilha de Java onde morava o serralheiro descobriu que estava falido , pois um grande carregamento de seus mastros havia sido roubado. E então Fátima , o serralheiro e sua mullher começaram a trabalhar sozinhos para reconstruir sua fortuna; pois o serralheiro não tinha mais dinheiro e seus antigos empregados o abandonaram.


Fátima trabalhou com tanta vontade que seu patrão lhe devolveu a liberdade e ela se tornou seu braço direito. O serralheiro conseguiu se reerguer e Fátima estava de novo feliz e realizada.


Um dia o patrão pediu a Fátima "Você é meu braço direito leve um carregamento de nossos mastros até a Índia e negocie-os pelos melhores preços pois confio em você".


E ela carregou o navio e partiu para seu destino.


Mas o traiçoeiro mar mas uma vez usou seus poderes e numa enorme tempestade o navio naufragou
vindo Fátima vir parar na China.


Mas uma vez sem nada Fátima pensou: "Porque só comigo toda vez que estou feliz vem algo e destrói minha felicidade. " Mas sem desistir continua andando até chegar numa aldeia chinesa.


Mas acontece que na China havia uma profecia que chegaria uma mulher estrangeira que construiria uma grande tenda para o imperador.


Chegando a aldeia uma aldeã diz para Fátima marcar uma audiência com o imperador e assim ela o faz.
Chegando o dia o imperador pergunta:"você pode me construir uma tenda."


E Fátima diz que podia. E então começa a tarefa.


Mas para construir a tenda ela precisava de uma corda hiper-resistente, mas não havia este tipo de corda na China. E então relembrando o tempo que vivia com seu pai , o grande fiandeiro ela recolhe o material necessário e ela mesma fia a corda.


Para se construir a tenda ela precisava de um tecido muito resistente.Mas naquela época não existia tal tecido na China. Então relembrando o tempo que viveu com o casal de artesões recolheu o material necessário e ela mesma teceu o tecido de grande resistência.


A tenda precisaria de mastros para poder ser levantada. Mas nesse tempo não existiam mastros resistentes na China. Ela relembrou que sabia fazer tal mastros pois havia trabalhado com um grande serralheiro; e assim ela mesma os construiu.


Mas qual o formato da tenda. E então ela relembrou do formato das grandes tendas do mercado de escravos e assim ela por fim ergueu uma grande e imponente tenda para o imperador .


O imperador muito agradecido por ela ter cumprido a profecia perguntou-lhe o que queria; e esta respondeu que apenas queria viver na China.


Então ela encontrou um grande príncipe e casou-se com ele vindo então a encontrar a sua verdadeira e douradora felicidade.


Fátima então entendeu que todos os sofrimentos de sua vida lhe serviram para ela aprender e enfim levantar a grande tenda que era sua verdadeira felicidade.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Você trabalha ou só faz teatro?


Véspera do primeiro dia de aula, dia de faxina. Achei que levaria meia hora. Depois de 2 horas e meia limpando, totalmente suja e suada, acabei. Lembrei que isso faz parte do pacote. Se você resolve alugar um espaço pra dar aulas de teatro, precisa mantê-lo limpo. E se você não tem verba pra pagar alguém pra limpar, precisa fazer você mesma. E, mesmo cansada, eu gostei de fazer justamente por fazer parte do pacote. Do pacote de "só" fazer teatro.

A coisa de "trabalhar ou só fazer teatro" virou piada. Motivo de zueira infinita. Fato: pessoas que não são de teatro não conseguem enxergar o quanto é trabalhoso fazer teatro. Surpreendentemente, a gente não sobe no palco e se diverte só. Só o trabalho mental que é decorar um texto e construir um personagem e o tempo que se investe nisso já invalidaria o "só".

Teatro, na maioria das vezes, se faz 24 horas por dia, 7 dias por semana. Primeiro, pq você nunca tá pronto. Tem sempre que estudar, que aprender, que agregar conhecimentos. Segundo, que teatro você não deixa no escritório às 18h e vai viver sua vida pessoal. (Muitas vezes você nem tem uma vida pessoal quando faz teatro.) Você sai do ensaio e ainda fica trabalhando mentalmente na peça, ou no que for.

Eu tenho certeza que minha mãe acha que eu passo horas e horas lendo ou no facebook. E ela não está errada nisso. O que ela não consegue entender é que isso é trabalho. É muito estudo, é muita pesquisa. Como eu vou escrever bem sem ler muito? E eu escrevo peças. Como eu vou construir personagens críveis sem a observação constante da humanidade? Como eu vou ser atriz sem estudar texto, sem pensar muito em possibilidades, sem ficar testando-as no meu quarto? Como eu vou dirigir sem pesquisar muito? E o pior: como ser produtora e tocar um grupo sem passar muito tempo na internet? Fazendo contatos, organizando, administrando, pesquisando, montando projetos, aprendendo, estudando dados para melhorar a página e a imagem do grupo, entendendo pessoas para lidar com elas? Como não pesquisar e estudar, sendo que eu dou aulas, que eu transmito conhecimentos?

E outra coisa, humanidade: não é pq algo é divertido que não é trabalhoso e cansativo. Dar aulas pra crianças é uma delícia! E cansa. Ensaiar é maravilhoso! E cansa. Apresentar uma peça é a representação máxima do entusiasmo, do "estar em Deus". E - surpresa - cansa. É trabalho, como todos os outros. Também enobrece/dignifica o homem, acreditem ou não.

Talvez, pras pessoas com empregos tediosos, o universo mágico do teatro pareça injustamente divertido demais. E, talvez por isso, não o considerem trabalho. E talvez não seja mesmo... Pq teatro só se faz com paixão. Teatro cansa e dá trabalho, mas o retorno, a recompensa, é infinitamente maior. É mais do que escolha, é destino. Não é trabalho, é sacro ofício. É sagrado. Como tudo que se faz por amor...

Talvez não seja trabalho, seja religião. Fé.

Talvez seja linda a sacralidade do "só" fazer teatro.

Talvez devêssemos abandonar a piada e aceitar que, sim, graças a Deus, não trabalhamos. Fazemos teatro. (Sem o "só".)

sábado, 9 de novembro de 2013

"Pra que a gente faz teatro?"



- A gente estava comentando que nas suas peças sempre tem personagem sem nome...
- E sempre tem uma Ela. Nas adultas.
- É. Verdade!
- Sempre tem uma personagem pronome...
- Tem algum motivo pra isso?
- Não sei... Na peça que eu tô escrevendo agora também tem uma Ela...
- Sua terceira Ela...
- É. Posso te contar um segredo? As Elas... Bom, eu escrevo as Elas pra mim. São sempre as personagens que eu gostaria de fazer.

Assim, há alguns dias, eu confessei meu segredo pra uma certa flor. Mais tarde, no mesmo dia, eu contei pra ela o significado do meu nome...

- Então, é como se você nem tivesse nome...
- Mais ou menos isso.
- Você é a menina.
- Eu sou um substantivo...
- Ou um pronome... A menina... Ela... Isso explicaria suas personagens chamadas Ela.

Sim, explicaria. Se procede, eu não sei. Sei que tudo isso, pra mim, me pareceu ter muito a ver com um outro diálogo, que aconteceu 5 dias depois. No fim de uma aula, enquanto uma aluna registrava uma atividade e eu tentava fazê-la entender o quanto o exercício a ajudaria, surgiu o questionamento: "Pra que a gente faz teatro?". E eu quis ouvir dela, saber o que ela responderia, primeiro.

"Pra poder ser outras pessoas, viver outras vidas."

Eu disse que muita gente responderia isso. E ela quis saber o que eu achava. Em segundos, lembrei dos outros diálogos. Das peças. Das Elas. E de tudo que eu vivi no palco até agora: Rosalynda, Emília Espectadora, Carmen, Poetisa, Pombinha, Noêmia, Lisístrata, Juliet, Lindalva, Zabé, Cindy, Sílvia, Emília... E percebi que eu jamais responderia a mesma coisa.

"Eu acho que a gente faz teatro pra poder ser a gente mesmo. O mundo, as pessoas, a sociedade... tudo exige que a gente seja um personagem, pra atender padrões e expectativas. Talvez só no palco a gente possa abandonar as personagens."

E, vendo o brilho nos olhos dela, finalizei:

"A gente faz teatro pra poder ser a gente mesmo, pra viver de verdade a nossa vida."

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

a professora de teatro 7



- que que é aula aqui?
- de teatro... sabe?
- que que é teatro? que nem fazer peça, com historinha?
- isso mesmo!
- e se eu não tiver fantasia? posso fazer?
- pode! e eu também tenho várias fantasias naquele baú!
- nossa! que demais!

(e, com olhos arregalados, o menininho de no máximo 7 anos foi embora e me deixou pensando que a resposta certa seria "a fantasia de vestir não é necessária; mas a outra fantasia, se não tiver... aí complica...")

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

a professora de teatro 6



- ah, é muito caro esse curso!
- na verdade, não. se você comparar, vai ver que todos os outros cursos extra-curriculares na cidade cobram o mesmo ou mais por uma aula de 1 hora por semana. eu dou duas aulas de 1 hora e meia.
- mesmo assim! você ganha o que? 10 reais por aula, por aluno?
- nem sempre chega a isso, depende do mês...
- é muito!
- olha, vou te dizer que não é. uns 25 reais por hora-aula ainda seria menos do que é realmente justo. não é só o trabalho aqui, além de tudo. eu preparo aula em casa, faço relatórios pra saber como conduzir a turma, estudo muito...
- ah, você acha que sua aula vale 10 reais?
- eu acho que vale muito mais. mas eu sou completamente apaixonada pelo teatro e eu sinto que preciso passar o que aprendi com o teatro para outras pessoas. o teatro me transformou, e eu quero possibilitar que mais pessoas sejam transformadas por ele. é como se eu tivesse uma missão, talvez. eu quero que crianças e adolescentes se tornem adultos melhores, através do teatro...
- com 10 reais eu compro um lanche pra minha filha.

(isso, investe na alimentação da sua filha e não na formação... obesidade feat. infelicidade: a gente vê por aqui. e, aliás, moça, onde, pelamordedeus, você tá pagando 10 reais num lanche? pq nos fast food da vida tá quase o dobro! compartilhaê a dica com os colegas!)

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

a professora de teatro 5



- nossa, deve ser muito legal dar aulas de teatro.
- eu adoro!
- mas, me diz uma coisa: você nunca pensou em fazer teatro mesmo?
- como assim?
- você sabe... fazer teatro... tipo atriz...
- ah, eu sou atriz. tenho drt e tudo! rs
- mas já fez peça?
- 13, se não me engano. tô começando, ainda.
- que legal! mas fazer teatro mesmo você não quer, né?
- é... não entendi...
- eu digo, estudar. profissionalmente.
- então, é que eu já estudei. eu sou atriz, por formação. passei 5 anos estudando pra isso. e, agora, continuo estudando, mas fora da escola.
- nossa, que legal!

(legal, meu senhor, é você achar que eu ia dar aula sem nunca ter estudado teatro, né?)

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

a professora de teatro 4



- aqui é só aula de teatro?
- isso.
- não tem dança?
- não, mas o teatro trabalha até mais coisas que a dança, pq...
(interrompendo) - olha, desculpa, mas teatro não serve pra nada. eu quero que minha filha faça algo útil.

(bota a menina pra carpir, beijos)

terça-feira, 13 de agosto de 2013

a professora de teatro 3



- aula de teatro? que legal! mas a pessoa sai daqui e vai pra onde?
- como assim? (pensando: "pra onde ela quiser ir... pra casa dela... pro mercado...")
- assim: ela faz o curso e depois?
- bom, ela pode continuar estudando, fazendo outros cursos... ou levar profissionalmente. depende de cada um.
- mas você não encaminha pra, tipo... novela, filme?
- olha, eu posso até ajudar, dar dicas... mas eu não posso garantir nada. depende de tanta coisa... vontade, talento, dedicação, comprometimento...
- ah, então é complicado. pq eu sei de cursos que garantem, na matrícula, que você vai se formar e ir pra globo.

(olha... sem palavras)

sexta-feira, 26 de julho de 2013

a professora de teatro 2

- tem aula de dança pra criança também?
- não, aqui é só aula de teatro.
- ah, que pena. teatro, eu não quero. queria que minha filha trabalhasse a expressão corporal dela, sabe? tchau.

(ah, claro, pq o teatro não trabalha a expressão corporal... e eu tive 5 semestres de aula de corpo só pra não ficar sem fazer nada.)

terça-feira, 2 de julho de 2013

a professora de teatro 1

- você dá aula de dança aqui?
- não, de teatro.
- ah, eu queria fazer dança. antes tinha dança aqui.
- é, eu fiquei sabendo. mas o curso mudou pra outra cidade, parece.
- e pq você não aproveitou e deu aula de dança mesmo?
- então, é que eu sou professora de teatro, sabe? eu estudei pra isso.
- mas estuda pra isso?
- na verdade, eu sou atriz, por formação. mas, pra ser atriz, eu passei 5 anos estudando teatro, numa escola de teatro. e, desde então, eu estudo teatro por conta própria. 
- e atriz não pode dar aula de dança?
- não, só se ela também tiver estudado dança, né? e eu não estudei. eu tenho preparo pra dar aula de teatro, não de dança.
- ai, que bobagem, menina! você devia era dar aula de dança. não tem nada a ver isso que precisa estudar.

(olha, minha senhora, vai lá pedir pro açougueiro te dar aula de dança, então.)