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terça-feira, 25 de setembro de 2012

Eu li num livro 21


Livro: Eu sou a porta
Autor: Bhagwan Shree Rajneesh

Doses de sabedoria:

* "Os detalhes são irrelevantes. A arte não pode ser contada, apenas demonstrada através de exemplos vivos, de comunhão constante."

* "Os pensamentos são formados pela mesma substância dos sonhos, os pensamentos e os sonhos são feitos do mesmo material. De dia, você os chama de pensamentos e à noite os chama de sonhos. Mas é mais fácil identificar-se com os pensamentos porque eles são mais transparentes do que os sonhos."

sexta-feira, 22 de abril de 2011

really do come true

- você vai dar aula pra gente?
- não, meninas.
- ah, pq?
- pq vocês já têm aula hoje.
- e sexta?
- não, sexta é educação física.
- ah, a gente queria que fosse teatro...
- mas não é...
- não tem como mudar, não? pra sempre?
- não (risos), só quando o professor faltar.
- tomara que ele falte.

(...)

- tchau, tia!
- tchau!
- quando que vai ter sua aula de novo?
- não sei (risos)...
- ah, tem que ter toda semana.

(...)

- sexta você dá aula pra gente?
- não, gente. eu não sou professora. eu só substituí um professor que faltou.
- quando alguém faltar, você dá aula de novo, então?
- acho que sim...
- vamos falar pro professor de amanhã faltar. vem!
(muitos risos)

* pq algo mágico acontece quando você descobre que consegue despertar em outras pessoas a mesma paixão que despertaram em você...

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

O sonho da Poetisa



A peça era chata. Só pra ler já quase morri de tédio. Natural que não tivesse a menor vontade de fazer e natural que tenha lutado fervorosamente contra. Mas foi ela. Decidida pelo grupo. Destinada por eras. O Sonho. De Strindberg.

E, então, eu sonhei. Com aquela profusão de personagens e aquele elenco gigante, a definição do que eu seria me assustava. Ninguém, era minha única opção. Até o sonho... E eu sonhei. Sonhei que o Poeta era Poetisa. O que seria óbvio: toda a agressividade masculina não combinava com ele. O Poeta era leve, era suave, era alguém que enfrentou milênios de confrontos e ainda sorria, sem ter se rendido à força bruta, usando palavras como armas e a fé na humanidade como munição. Como na música que eu amo, o amor era sua arma mais forte.

E, então, o presente: a Poetisa. Era ela e era minha. Era eu. E, num caldeirão de criação, eu coloquei as duas, lá no fundo. As duas que são uma, que são a mesma. A eterna adolescente e a rainha do submundo. A alegria e a dor. A poesia e o pesar. O branco e o roxo. Uma saltitando, girando, com pés que se reduzem a pontas, conduzindo-a à elevação; outra, com o barro, a lama, com os pés fincados num mundo que é dela e que é belo até nos seus aspectos mais grotescos - simplesmente pq ela assim o enxerga. A menina poetisa e a poetisa menina, existente desde o sempre e renascendo a cada segundo. Coré e Perséfone.

E, no caldeirão, eu joguei bolinhas de sabão. E guizos, e tule, e purpurina, e glitter, e brocal, e marshmallow, e jujubas, e pirulito, e folhas de papel. Dei uma misturadinha e taquei angústia, inquietação, repulsa, aversão. E completei com paixão, com fé, com admiração, com encantamento. E, de lá, surgiu a Poetisa. A minha Poetisa.

E, sem querer, por puro capricho do destino, ela se olhou no pequeno espelho quadrado e viu a maquiagem borrada. E, nesse instante, sob o calor das luzes do camarim, ela se encontrou. A maquiagem borrada, a roupa se esfarrapando, os pés sujos de lama, a sujeira em cada mílimetro de seu corpo. Ela estava destruída por séculos de luta pelo que acreditava, por milênios em que vagou pela terra, querendo que a humanidade entendesse que o amor triunfa a tudo. Olheiras fundas por cada vez que os filhos dos homens julgavam que os poetas nada mais fazem do que fingir e inventar. Olhos de quem chorou por cada injustiça que viu. Mas, ainda maior, o sorriso, o deslumbramento diante do existir, o encantamento em cada banho de purpurina, a paixão pela humanidade.

O Deus criou o homem em uma roda de oleiro - ou em outra coisa qualquer - e eu criei a Poetisa no cantinho mais purpurinado do meu coração.

Sweet dreams are made of this...

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

O piano e a poesia

No palco, um divã e um piano.

O divã, de um vermelho-vinho. Refinado, mas com algo de antigo. Bom e caro.

O piano, preto e luminoso. Grande, erudito e moderno. Bom e caro, também.

No divã, ela. Vestido longo. Verde, como seus olhos. Caro, também. Ela, deitada de bruços, com as pernas pro ar, balançando os pequeninos pés. Com os olhos brilhando, lê um livro de poesias. De vez em quando, levanta a cabeça e o vê. Sorri, nesse momento. E volta a ler.

No piano, ele. Não está sentado no banco, está sentado em cima do piano mesmo. De terno. Com olhar distante, acompanha a leitura dela. Quando ela o encara e sorri, retribui. E logo volta ao seu estado contemplativo.

De repente, ele diz:

- Nem todos os livros que li,

Nem toda a poesia

Me trouxeram o amor

Que aquele piano trazia...

Ela ouve. Sorri. E volta ao seu livro, às suas poesias.

Ele volta a contemplar o mundo.

E o pianista... Bom, ele nunca havia parado de tocar. Era sua função ali. Estava no piano só pra isso. Para dar a trilha sonora que aqueles dois sonharam.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Meu maior problema

Então, a gente chegou. Só que eu precisava guardar coisas num armário. Escolhi o número 26, abri e comecei a tirar livros da minha enorme bolsa azul e colocar lá.
Nisso, chegou uma moça e disse:
- Você sempre leva tantos livros?
- Sempre. Mas preciso deixar aqui, pra entrar lá. E pra não carregar tanto peso.
- Entendi.
Continuo tirando livros da bolsa e guardando.
- Você gosta muito de ler, né?
- Gosto. Esse é meu maior problema...

terça-feira, 21 de setembro de 2010

As bolinhas de Coré



Coré, eterna adolescente. Por uma simples romã, de destino condenado. Romã, fruta de só 4 letras. Letras que, desorganizadas e recombinadas - ou, sendo mais simplista, lidas de trás pra frente - são amor.

Coré, de olhos fechados. Sentindo o calor do Sol em sua pele e o cheiro do verde. Vendo, de olhos fechados, a vermelhidão. Vermelho - Sol, vermelho - sangue, vermelho - amor.

Coré abre os olhos. Vê o vermelho ir desvanecendo, transformando, virando verde. Virando terra. A terra de sua mãe.

Coré sorri e sopra. Vê, no centro do aro, seu sopro tomar forma, virar coisa, virar ideia. Vê a bolinha pseudo-invisível. Disfarçando-se. Vê o mundo através da bolinha. Igual, mas diferente. Translúcido, talvez. O Sol bate na bolinha e faz com que tudo visto através dela tenha um arco-íris. Cada bolinha carrega dentro de si um pequeno arco-íris, uma pequena poesia.

Coré deslumbra-se com o arco-íris e lembra-se de histórias que povoaram a sua infância, que precederam sua infinita adolescência. Histórias que falam de um lugar depois do arco-íris. Nunca entrar na vida adulta faz com que ela não perca nunca a capacidade de se deslumbrar. E de sonhar.

Coré deslumbrada, acha que a bolinha pode levá-la a um mundo mágico e a segue. E sorri. E corre como o vento e os sorrisos tornam-se risadas. E pula e corre e gira e abaixa e levanta e corre mais e as risadas tornam-se gargalhadas.

Coré, transbordando de alegria, vê a bolinha descer. E sumir. Tocar o chão e desaparecer. Um chão que não é a terra de sua mãe. Um chão que é o reino de seu marido. Um chão que é o inferno. E Coré deixa de ser Coré. Torna-se Perséfone.

Perséfone assume seu trono. Tem alguns meses pela frente, meses para pensar. Meses para racionalizar seu deslumbramento dos outros meses, anteriores. Meses para segurar Coré dentro dela, quietinha. Meses em que Perséfone não sorri mas, toda noite, dormindo, deixa que Coré corra atrás de bolinhas em seus sonhos. A risada de Coré é o som que mantém Perséfone sã nesses meses.

Perséfone, em seu trono, pensa. E lembra de alguém que um dia lhe ensinou que, às vezes, a gente pensa que está dizendo bobagem, mas está fazendo poesia. Seu nome era Mário, um velhinho simpático. Ela só não se lembra se ele disse isso a ela ou a Coré, o que também não importa. De uma certa forma, elas estão sempre juntas: Perséfone é a sombra de Coré na terra, Coré é a bolinha que mantém Perséfone viva no inferno.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Dream a little dream

No twitter, abro o link. Desenhos e Trapalhões.
- Eu vi o link que você colocou no twitter.
Silêncio.
Carinho.
- E os Trapalhões? Meu, aquelas piadas... Imagina se hoje eles teriam liberdade praquilo.
Estica a mão, sem virar, sem me olhar. Papéis. Pego e saio.
Sento em uma mesa de jardim. Em um lugar com muitas árvores.
Senta ao lado.
No primeiro papel, coelhos.
- Ah, foi desse que você tirou a ideia, né?
Sem resposta.
Chega um desconhecido. Uma menina esquisita de luvas. Outros desconhecidos.
Conversas. Das quais eu não participo.
Saio. Sem dar tchau.
Ligo, mas não atende.
Entro no mercado, com um pacote de leite na mão. Aberto. Meu. E pago por ele, de novo. Sei que não deveria pagar, mas não tenho controle sobre isso.
Chego no shopping. Com a caixa de leite aberta.
Encontro conhecidos.
Ela diz:
- Ah, não vou poder ver a peça hoje. Tenho um encontrinho.
Ele aparece.
- Você vai perder a peça do Maykol. Não acredito!
Eles trocam um olhar cúmplice.
- Ah, aquela hora, eu precisei sair pra vir pra cá.
Sem resposta.
Sorvete.
- Esse azul é aquele que tem gosto de algodão-doce?
- É.
Pego. Outras coisas também.
- Não tem de menta?
- Já tem o azul, tá bom de esquisito por hoje.
E me entrega o papel com o preço.
Fila pra pagar. Fico atrás dele.
- Peguei o azul.
Sem resposta.
Os desconhecidos voltam, a conversa volta.
E eu fico ali: sozinha, ignorada.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Sonho que se sonha só é só um sonho

E aí a gente estava no carro. Como eu não dirijo, ele dirigia. Lógica de sonho; na vida, ele também não dirige. Eu olhava pra trás e não via nada. Minha bolsa no banco quase vazio. E a gente conversava.
"Sei lá... Não tô dizendo que ele é má pessoa, não é. Mas você entende que ele me prejudica?"
"Entendo totalmente", ele abaixa o som.
Olho pra trás: a bolsa e os faróis de outros carros.
"Pq ele tem toda essa instabilidade... Ele muda do nada: sem razão, sem explicação. E não dá pra gente ter uma amizade saudável com gente assim..."
"Eu sei como é..."
"... por mais que eu goste dele.", olho pro vazio, mais uma vez.
Sorrio para o estranho confidente.
"Às vezes eu acho que eu deveria pensar como as pessoas dizem... que ele é um cretino, imaturo, irresponsável, egoísta, que foi amigo enquanto eu tinha coisas a oferecer..."
Risos. Olho pra trás. O cabelo diferente, uma camisa xadrez, os olhos já conhecidos, um rosto imberbe, cara de raiva e mágoa.
"Oi..."
"Oi."
"Ahn... Quer que aumente a música?"
"Não."
Ele me olha de olhos arregalados e volta a atenção pra estrada. Falo baixinho: "Ele estava aí desde quando?"
"Acho que ele ouviu toda a parte de cretino, imaturo e egoísta."
"Só isso?"
"É."
"E a parte de eu gostar muito dele?"
"Ele não tava antes."
"Droga. E como ele veio parar aqui?"
"Isso é o que menos importa..."
"Explico?"
"Não... Se ele quer entender errado, deixa ele entender errado."
Suspiro e fecho os olhos. Esgotada. De medir palavras e tentar prever significados que poderão ser atribuídos. Um peso de eras.
Abro os olhos. O motorista agora é uma motorista. Ela sorri e diz:
"Tô só esperando ele sair do banheiro."
"Hmmm... Mas ele já foi há uns 20 minutos."
"Deve estar cheio."
"É..."
Bebo água, abro e fecho um livro, ligo e desligo o som.
"E se ele não voltar?"
"Oi?"
"E se ele sumir?"
"Pessoas não somem do nada."
"Ele some."
"Oi?"
"Deixa pra lá..."
"Olha onde a gente tá! No meio do nada. Não tem como ele não voltar."
"Ele sempre arranja um jeito de sumir, até quando é altamente improvável."
"Do que você tá falando?"
"Da vida."
"Eu vou descer e ver se encontro..."
"Não precisa. Vamos embora..." e aponto o carro passando na nossa frente. Duas senhoras obesas de chapéu na frente, a mesma camisa xadrez atrás. Os mesmos olhos me encaram. Vazios.
"O que ele..."
"Vamos embora", repito. E abaixo os óculos escuros, tapando aquela maldita lágrima boba, que já devia esperar isso, mas ainda se surpreendia.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

What If God Was One of Us?

Na semana passada, eu sonhei com Deus. Eu nunca imaginei que fosse possível sonhar com Deus. Pelo menos, ninguém nunca me contou algo do gênero, tipo “Cara, tive um sonho irado com Deus”. Mas eu tive.

Desde o ano passado venho estreitando minha relação com Deus. A gente tá, sei lá, ficando mais amigo. Acho... Acho, inclusive, que a gente se entende melhor já; mesmo que nossas conversas sejam unilaterais.

Na noite do tal sonho eu estava um pouco mais confusa do que o normal. Eu sou confusa pacas e vivo repleta de dúvidas na minha mente insana, querendo entender tudo, querendo encontrar respostas, sinais, justificativas. Aí eu falei pra Deus: “Olha, eu sei que rolam uns sinais através de sonhos. Já tive alguns bem interessantes. Então, pq vc não me dá um sinal hoje? Mas um fácil de entender, ok? Obrigada!”. E dormi.

Não lembro quase nada do sonho. Só lembro que ele aparecia. Ou Ele. Enfim... E, então, eu perguntava “Isso é um sinal?”. E ele dizia “Isso não é um sinal, isso é um sonho.”. Ok. Deus é mesmo um fanfarrão e ainda me tirou bonito. No meu próprio sonho. A parte boa é que não era um sinal, já que, se fosse, eu tava ferrada: não lembrava de nada mesmo.

O sonho me fez pensar muito em Deus. Deus é um dos assuntos top5 na minha vida, nos últimos tempos. Deus e coincidências. E, sim, não acredito nelas e acho que esse tipo de coisa é Deus sendo um brincalhão e se divertindo horrores às nossas custas.

Contar pra alguém esse sonho, pra mim, seria atestado de loucura. Só fiz comentários bobos, em tom de brincadeira. Acho que o assunto só se prolongou com poucas pessoas, com aquelas que conhecem tanta coisa minha que já têm absoluta certeza de que eu sou louca e, assim, isso não mudaria absolutamente nada.

Um amigo escreveu um texto muito bacana (em que meu sonho faz uma participação especial) depois disso. Esse aqui (se ele não gostar, deleto o link depois). E o texto me fez pensar ainda mais em Deus, em sonhos, em sinais, em...

E, pensando sem parar, parei para acabar de ler a autobiografia do Dias Gomes que eu estava lendo. E me deparei com isso:

Deus é um bom dramaturgo, não se pode negar, sabe jogar com suas personagens, sabe torná-las verossímeis dentro da inverossimilhança total da vida, essa tragédia farsesca. Consegue fazer com que seus intérpretes lutem por seus papéis desesperadamente na ilusão de poder melhorá-los com uma contribuição pessoal, quando Ele, cioso de sua obra, não admite cacos, atitude que apóio integralmente. Só um reparo: repete-se muito, pois todas as suas peças têm sempre o mesmo e previsível desfecho - a morte. Sei que é antiético falar mal de um colega, mas Deus sofre de milenar falta de imaginação.

É isso. Deus é, agora, uma constante na minha vida. E eu resolvi parar de pensar. E só ouvir a mais bela prece que se pode fazer... Essa aqui!

segunda-feira, 6 de julho de 2009

your confusion, my illusion

a chegada.
o encontro.
a visita.
a porta que se abre.
o sorriso de recepção, caloroso.
o sorriso de novidade, sem jeito.
o sorriso de apresentação, orgulhoso.
ele diz "minha namorada".
todos sorriem.
sua?
namorada?
desejo?
vontade?
destino?
vidência?
medo.
angústia.
your confusion, my illusion.
(como na música)
ela diz "sempre quis te conhecer".
e abraça.
com sinceridade.
com carinho.
todos sorriem.
todos sempre sorriem.
eu acordo.
e, misteriosamente, não sorrio...