segunda-feira, 1 de outubro de 2012

carta aberta a um parceiro de dança




quando soubemos do espetáculo e das possibilidades que teríamos dentro dele, de uma coisa tínhamos certeza: queríamos estar juntos na última dança, no grand finale. representação de tudo que aquilo significava pra gente: o espetáculo, o momento, a música, a dança e, acima de tudo, a nossa amizade. parceria. e assim foi. antes, eu dançava com outro. vc, dançava com outra. e o que importava o antes se, no fim, na grande dança, éramos eu e vc? só sabia dançar com vc...

no palco e na vida. 
"vc é a melhor companhia de pishta ever!"
"e vc é a melhor companhia de pista e de vida!"
seguia só sabendo dançar com vc...

e, então, a possibilidade, de termos TODAS as danças. todas as danças só pra gente. só pra gente se divertir, improvisar, criar, melhorar, se deleitar... possibilidade que vira fato. mas, ao mesmo tempo, vira maldição. pq os passos se desencontram e, de repente, sem explicação e de forma assustadora, tudo que eu queria era não precisar dançar com vc. era um outro parceiro de dança. um com quem eu me divertisse, com quem existisse comunhão. os ensaios são uma tortura. o medo do fracasso me assombra. medo de errar o passo, de cair no meio da dança ou - tão terrível quanto, mas mais provável - de os passos estarem todos certinhos, mas da gente dançar sem brilho, sem emoção, sem causar admiração. uma dança mecanicamente perfeita no lugar da dança intuitivamente genial que poderia ter sido. 

não sei mais dançar com vc.
e, em cada passo que dou nessa dança, vou perdendo a esperança de voltar a saber...

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